A trajetória como delegada não é menos importante na formação da mulher política que hoje é a Delegada Katarina, mas não foi suficiente. A parlamentar de hoje não foi formada apenas nas delegacias. Foi obrigada a adquirir malícia, visão estratégica e capacidade de articulação ao longo de sua ainda curta trajetória política. Por maior que tenha sido a influência do exercício da liderança na Polícia Civil, foi a prática cotidiana, desde que se tornou vice-prefeita de Aracaju, que moldou a capacidade de chegar onde chegou.
Katarina foi escalada para ser escudo e antídoto. Voltemos à eleição de 2020. Edvaldo Nogueira teria como principal adversária a delegada Danielle Garcia. A coordenação da campanha concluiu que ele precisava ter uma mulher como vice. E, na estratégia mais acertada, mais do que uma mulher de projeção, uma delegada.
Era o fim do discurso do “caça-bandido”, que a oposição utilizava como uma de suas maiores forças. A equipe de marketing de Danielle Garcia cometeu erros grotescos de iniciantes na largada e, “pimba”, Edvaldo pavimentou a reeleição tendo uma delegada como vice.
Da transição até o dia em que deixou o cargo para assumir seu mandato de deputada federal, Katarina experimentou o que é ter Edvaldo Nogueira como aliado. Passou dois anos praticamente isolada na pequena sala destinada à Vice-Prefeitura, um espaço com pouca estrutura. Chorou, enfrentou dificuldades, mas não se fez de vítima. Participou de eventos, esteve presente em atos públicos e reforçou a liderança de Edvaldo como prefeito. Nunca embarcou no sonho infantil que, por exemplo, teve o atual vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques. Preferiu plantar para colher mais adiante.
Dois anos depois, o PSD voltou a precisar de sua força para completar a chapa dos federais. Lá foi Katarina construir, a duras penas, uma campanha que, inicialmente, tinha a promessa de ser prioridade.
Até certo ponto foi. Do contrário, não teria sido eleita. Mas, segundo alguns aliados, esse apoio não ocorreu na intensidade esperada. Vale registrar que a informação parte dos bastidores, porque, se depender de Katarina, ela jamais reclama das dificuldades que enfrentou.
Chegou, então, a oportunidade de demonstrar que os chamados apadrinhamentos haviam sido apenas portas abertas por mérito próprio. Eleita deputada federal, passou a disputar o espaço que qualquer político deseja conquistar: tornar-se uma liderança em um ambiente historicamente dominado por homens.
E conseguiu. Hoje sua atuação não é atrelada a qualquer outra pessoa. Katarina assumiu a autonomia do seu destino político.
Respeitada pelo PSD nacional, ela conquistou a indicação para ocupar cargo na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e exerce um mandato que combina pautas voltadas às mulheres, à área social e à segurança pública, sem abandonar a articulação política com prefeitos e lideranças do interior. Aos poucos, deixou para trás o estereótipo exclusivo da delegada de polícia para consolidar a imagem de uma liderança das forças de segurança com perfil mais humanizado.
Katarina chega a 2026 com chances reais de conquistar o segundo mandato e, ao mesmo tempo, construir seu futuro político. Percebendo o espaço existente na capital dentro do agrupamento governista, busca ocupar o papel de principal contraponto à prefeita Emília Corrêa. Como quem semeia pensando na colheita, trabalha para, mais uma vez, escrever um novo capítulo de sua trajetória? Quem sabe disputar Aracaju em 2028?
Tudo depende de 2026. Conseguirá? As urnas darão essa resposta em outubro.
NOTAS DA SEMANA
Segue sem explicação
Segue sem explicação a origem e o destino dos R$ 240 mil apreendidos pela Polícia Civil com um ex-servidor da Secretaria Municipal da Educação de Aracaju. Nem a Polícia Civil divulgou avanços específicos sobre esse ponto da investigação, nem o próprio César Dias tornou pública sua justificativa para a origem dos recursos.
Licitação do transporte
Esta semana promete novos capítulos na relação entre os municípios da Grande Aracaju e o Consórcio do Transporte Metropolitano. O diretor-executivo está prestes a ser destituído após, segundo os prefeitos, insistir em descumprir determinações da Assembleia do Consórcio.
Emília fala em deselegância
Ao ser questionada sobre uma possível destituição de Héctor Medeiros, mencionada em ofício encaminhado pelos prefeitos ao Consórcio, a prefeita de Aracaju afirmou que a situação “fica até deselegante”. Emília não fez uma defesa direta do indicado, mas deixou claro que, na sua opinião, não há condições para que as ordens de serviço sejam executadas.
E a saída de Renato?
Quando defendia a saída de Renato Telles da direção do Consórcio, Emília adotou a mesma estratégia: declarações à imprensa, pressão política e, ao final, a destituição, com a anuência dos atuais prefeitos. Renato foi “convidado” a deixar o cargo. Não é demais perguntar: naquele momento, Emília também atuou com deselegância?
Convenção do PL será no dia 3
O PL Sergipe realizará sua convenção no dia 3 de agosto, a princípio na sede do partido. A legenda afirma que não passam de especulações as informações sobre uma possível reaproximação com a prefeita Emília Corrêa.
Conhecimento pela imprensa
O deputado federal Rodrigo Valadares, enfim, quebrou o silêncio sobre a possibilidade de retomada da aliança com a prefeita Emília Corrêa e Valmir de Francisquinho. Segundo Rodrigo, ele “nunca foi procurado” para tratar do assunto. Afirmou ainda que tomou conhecimento das especulações pela imprensa e praticamente descartou a possibilidade de uma reaproximação.
Conhecimento pela imprensa II
Rodrigo afirmou que não foi contatado por nenhuma liderança do grupo da prefeita Emília Corrêa e, por isso, considera improcedentes as informações sobre uma possível reaproximação. Além de ter tomado conhecimento das especulações pela imprensa, ele garante que, efetivamente, não há qualquer discussão sobre essa possibilidade e reiterou a programação da convenção do partido, marcada para o próximo dia 3 de agosto.
Confira os destaques das duas convenções realizadas até aqui:
Convenção Estadual do Republicanos e do Avante ocorrido na segunda-feira, 20:
Georgeo Passos diz que confia em aval do TRE para candidatura de Valmir de Francisquinho
Convenção Estadual do MDB ocorrido no sábado, 25:
Luciano Bispo declara apoio a Alessandro Vieira e revela os nomes da sua chapa para 2026
Gilson Andrade confirma candidatura a deputado estadual e prevê retorno à Assembleia
O Pato e o Rato
Em live no Instagram, o pré-candidato Valmir de Francisquinho endossou uma estratégia articulada por seus aliados de tentar descredibilizar o grave fato do rato flagrado passeando livremente entre as carnes expostas em balcões e penduradas no mercado de carnes de Itabaiana. “Vocês vão ver em Itabaiana agora elefante, vai ver onça, vai ver jacaré, vai ver gente de duas cabeças e vai dizer que a culpa é Valmir”, disse Valmir em tom de ironia.
O Pato e o Rato II
O prefeito de Itabaiana, Zequinha da Cenoura, reconheceu que as imagens eram verdadeiras e afirmou que providências seriam tomadas. Em entrevista ao Jornal da Fan, informou que convocaria uma reunião de emergência com várias secretarias para tratar do assunto. Ao adotar a estratégia de minimizar a gravidade do caso com a narrativa de que tudo pode ter sido um boicote ou uma armação, Valmir acaba demonstrando, na verdade, o quanto o episódio é grave. E não se trata de abordar essa pauta de forma diferente porque envolve Valmir. Ela seria destaque independentemente de quem fosse o candidato responsável pela administração de Itabaiana.
O Pato e o Rato III
Se Itabaiana serve de modelo de gestão para Valmir demonstrar suas competências e diferenciais em relação aos adversários, os erros e problemas da administração também devem servir de parâmetro de comparação. Afinal, Valmir, como opositor, apontará estradas, hospitais e escolas com problemas para criticar seus adversários. Por que, então, a fragilidade sanitária no comércio de carnes em Itabaiana não pode ser utilizada no debate? Por que os erros dos adversários são considerados graves, mas apontar falhas da gestão de Valmir passa a ser tratado como exemplo de “perseguição”?
Edvan Amorim desconhece
Questionado sobre possível reaproximação com Rodrigo Valadares, o empresário Edvan Amorim, tido como “cérebro” da articulação da oposição, mostrou desconhecimento. “Não tenho conhecimento disso.” Questionado então se a articulação poderia ter partido dos líderes nacionais do Republicanos e PL, ele reitera a mesma resposta. “Não tenho conhecimento disso.” Portanto, até aqui, com negativas dos dois lados, tudo não passa de especulação.
Convenção prestigiada
A convenção do MDB, que homologou as candidaturas à Assembleia Legislativa, à Câmara dos Deputados e ao Senado, foi bastante prestigiada. Para um sábado à noite, já na reta final da pré-campanha, a lotação do espaço chamou atenção. Outro fato marcante foi a presença de prefeitos e aliados de outros partidos, inclusive do PSD do governador Fábio Mitidieri.
Convenção prestigiada II
O resultado da convenção foi extremamente positivo para Alessandro Vieira, que demonstrou força política e, como se diz na linguagem do futebol, mostrou que “está no jogo”. O senador reafirmou sua candidatura, reforçou o discurso de entregas importantes para Sergipe e reiterou o apoio à reeleição do governador Fábio Mitidieri.
Sem receio e confiante
Em entrevista na chegada à convenção, o senador Alessandro Vieira afirmou não temer duas situações. A primeira, o que classifica como uma suposta “perseguição” do STF, por meio do ministro Gilmar Mendes. A segunda, a possibilidade de perder apoios por não integrar o palanque oficial de Fábio Mitidieri. Alessandro disse acreditar no voto livre e consciente do eleitor e defendeu que a população compare a trajetória e as propostas dos candidatos antes de decidir seu voto.
Exclusivo: Fábio justifica ausência
O governador Fábio Mitidieri justificou a ausência na convenção afirmando que, por orientação da assessoria jurídica, deveria participar apenas das convenções dos partidos oficialmente aliados. Segundo ele, sua presença poderia gerar especulações e um desnecessário clima de atrito com André Moura e Rogério Carvalho. “Não teria como ir e não pedir voto para ele. Como só tenho dois votos, a lei não me permite. Mas gosto muito dele e agradeço pelo apoio à nossa gestão”, explicou Mitidieri.
Procissão marcará rompimento
Em Simão Dias, a procissão de Senhora Sant’Ana deverá marcar o rompimento oficial do prefeito Cristiano Viana com o governador Fábio Mitidieri. Fábio participará do evento ao lado dos Valadares, de Valadares Filho e de Marival Santana. Já o prefeito Cristiano Viana deverá acompanhar Valmir de Francisquinho e Belivaldo Chagas.
Conexão com a população
Mesmo diante das polêmicas envolvendo sua gestão, a prefeita Emília Corrêa segue demonstrando forte sintonia com a população. Em uma recente entrega de obras, recebeu diversas manifestações de apoio, especialmente de senhoras e crianças. O episódio reforça a percepção de que, até o momento, as controvérsias em torno da administração ainda não criaram uma barreira entre Emília e as camadas mais populares da sociedade.








