Transferências não autorizadas em contas do Banco do Estado de Sergipe (Banese) foram registradas por servidoras públicas em Aracaju. Relatos recentes e boletins de ocorrência registrados na Polícia Civil de Sergipe, obtidos com exclusividade pelo Portal Fan F1, apontam um padrão: valores retirados através de transações virtuais, mesmo sem qualquer movimentação por parte dos titulares, logo após o recebimento de vencimentos.
As servidoras públicas Cláudia Cristina Freitas Santos e Maria da Glória Dias do Nascimento apontam que tiveram seus rendimentos subtraídos em intervalos de tempo curtos, minutos após o crédito de remunerações. Ambas apresentaram contestação perante ao banco e prestaram boletim de ocorrência.
A servidora pública municipal Cláudia Cristina Freitas Santos, de 51 anos, relatou que, no dia 20 de julho, seu salário caiu na conta do Banese e, em menos de uma hora, desapareceu completamente.
No momento em que a transação transcorria, Cláudia relata que participava ativamente de uma reunião de trabalho online por meio do computador e não tinha acesso ao celular.
“O salário caiu e imediatamente, com menos de uma hora, ele sumiu literalmente da minha conta. No horário do débito, eu estava no meu setor de trabalho, numa reunião online onde tenho testemunha. Não tem como eu ter feito isso: ele foi pelo celular e ele estava carregando, eu estava fazendo a reunião através do notebook, não estava utilizando o celular. À noite, quando fui acessar para efetuar um pagamento para minha mãe, deu saldo insuficiente. Quando acessei o app, estava apenas com R$ 0,38 centavos”, disse ela.
Conforme verificado por Cláudia no extrato detalhado, o montante foi direcionado para o CNPJ de uma empresa registrada em São Paulo e aberta no dia 11 de julho de 2026.
“Acho que vale muito a pena as pessoas prestarem atenção onde têm suas contas, pedirem mais segurança com relação a isso e ficarem principalmente mais atentos ao dinheiro pelo qual tanto suaram para conseguir”, completou.
A situação vivida por Cláudia não é um caso isolado. Dez dias antes, no dia 10 de julho de 2026, a servidora pública Maria da Glória Dias do Nascimento, de 65 anos, enfrentou situação idêntica.
Segundo relato, ela aguardava o depósito de uma gratificação em sua conta do Banese. Por volta das 14h, a filha da servidora, que compartilha o monitoramento do aparelho celular da mãe, percebeu a notificação de entrada da gratificação. Contudo, escassos dois minutos depois, uma nova notificação alertou para a saída imediata de mais de R$ 5 mil de sua conta bancária.
Segundo o boletim de ocorrência registrado por Maria da Glória, o valor foi retirado via PIX QR Code em uma máquina de cartão da operadora Stone. O comprovante da transação indica como recebedora uma empresa individual. Em consulta ao Comprovante de Inscrição Cadastral da Receita Federal ela constatou que a referida firma foi aberta em 30 de junho de 2026, com sede em Curitiba (PR).
Diante da gravidade dos fatos, Maria da Glória também se a uma agência física do Banese para formalizar a contestação do débito e, em seguida, dirigiu-se à delegacia para registrar o fato. Segundo a mulher, no entanto, o período que o banco teria para responder à contestação se encerrou nesta quarta-feira, mas não houve retorno quanto ao processo ou devolução do dinheiro.
Em nota, a Polícia Civil de Sergipe informou que procedimentos investigativos foram instaurados para esclarecer a dinâmica dos acontecimentos.
Segundo o comunicado, os boletins de ocorrência registrados noticiam crimes de estelionato e furto qualificado mediante fraudes praticadas contra as servidoras públicas.
Em ambos os relatos, as vítimas constataram saídas não autorizadas de dinheiro de suas contas bancárias após receberem notificações via SMS emitidas pela própria instituição financeira.
Confira nota do Banese enviada ao Portal Fan F1:
“Em todo o Brasil, tem crescido a quantidade de crimes cibernéticos por engenharia social, modalidade em que criminosos, através de links falsos na internet, redes sociais, WhatsApp, mensagem de e-mail, SMS ou ligações telefônicas, convencem a vítima a informar dados importantes como senhas e contrassenhas bancárias, tokens de autenticação e informações da conta, fornecendo aos criminosos, dessa maneira, total acesso às contas e permissão para que realizem transações financeiras como contratação de empréstimos e transferências de valores via TED ou Pix.
Diante desse cenário, o Banese, bem como outras instituições bancárias em todo o país, e a Federação Brasileira de Bancos, têm feito reiteradas campanhas educativas alertando sobre a existência dos diversos tipos de golpes de engenharia social, e orientando os clientes sobre como agir para não serem vítimas. Entre as orientações fornecidas está a de nunca fornecer dados sensíveis, pessoais ou da conta, para pessoas estranhas, seja pessoalmente ou através de ligação telefônica, por mensagem via WhatsApp ou SMS, pois os bancos não solicitam tais dados aos clientes.
O Banese informa, ainda, que tem investido continuadamente na modernização dos sistemas de segurança da informação da instituição, que são dotados das mais modernas tecnologias existentes no mercado, e reforça que as instituições financeiras não solicitam, sob qualquer hipótese, dados de senhas ou códigos de segurança. Caso seja abordado, o cliente deve encerrar imediatamente o contato.
Ao perceber ter caído em um golpe, a orientação é registrar, imediatamente, Boletim de Ocorrência virtual ou presencial, comparecer na agência onde possui relacionamento e informar a situação para que as tratativas necessárias possam ser realizadas. Nos casos de golpes ou fraudes envolvendo transações PIX, é recomendado, também, que o cliente acione o Mecanismo Especial de Devolução – MED através do aplicativo bancário.”








