Do relacionamento abusivo ao pódio: a história de superação de Maria Carla através do esporte

Maria Carla

O esporte foi mais do que uma atividade física na vida de Maria Carla, tornou-se um caminho de cura, autonomia e reconstrução pessoal. Atleta e massoterapeuta, ela transformou a dor vivida em um relacionamento abusivo em força para mudar de vida, encontrar estabilidade emocional e se destacar nas competições esportivas em Sergipe.

Em entrevista ao Portal Fan F1, Maria Carla relembrou um período marcado por violência psicológica, ansiedade e dificuldades financeiras. Mãe de dois filhos, Cristinho e Vitória, ela conta que, após a separação, enfrentou sérios desafios para manter a casa e até para arcar com os custos de medicamentos para ansiedade.

“Eu era dona de casa, mãe, e após a separação não conseguia financeiramente manter os remédios. Foi aí que comecei a fazer atividade física na academia”, relata.

A partir desse primeiro passo, Maria Carla passou a investir em cursos com especialização no tratamento da dor, aproximando-se da área da massoterapia. Foi nesse contexto que a corrida de rua surgiu quase por acaso, mas rapidamente ganhou um significado profundo em sua vida.

“Nunca imaginei competir. Comecei indo para a rua e, quando percebi, a corrida já fazia parte de mim”, conta.

Em 2025, Maria Carla alcançou um feito expressivo: liderou provas no estado e conquistou 11 pódios, resultados que simbolizam não apenas vitórias esportivas, mas também superação pessoal. Cada medalha, segundo ela, carrega a lembrança das noites de insônia, das crises de ansiedade e das dores emocionais do passado.

“A corrida me cura da minha dor e dos meus traumas. Hoje consigo ser uma mãe melhor, uma profissional melhor e estar em paz comigo mesma”, afirma.

Conciliar maternidade, estudos e trabalho não foi fácil. Acadêmica de fisioterapia, Maria Carla chega a trabalhar cerca de 50 horas semanais em pé, além da rotina intensa de treinos. Para ela, o esporte foi essencial para manter o equilíbrio emocional.

“Sem o esporte, eu não conseguiria ter o controle emocional que tenho hoje. Quando coloco meu tênis às quatro da manhã, sei que vou chegar mais forte mentalmente para acolher meus pacientes”, diz.

A transição para o empreendedorismo e para o esporte competitivo também veio da vontade de compreender melhor a dor de quem ela atende. Ao vivenciar na prática os desafios físicos da corrida, Maria Carla afirma que se tornou uma profissional mais empática e próxima de seus pacientes.

Hoje, ela não faz mais uso de medicação para ansiedade nem terapia, atribuindo sua recuperação à atividade física. “A corrida libera serotonina, endorfina, algo que o remédio naquele momento não conseguia me dar”, explica.

Um ponto decisivo em sua trajetória foi a denúncia do relacionamento abusivo. Maria Carla relembra que procurar a delegacia foi um ato difícil, mas fundamental para sua libertação. A Justiça reconheceu a violência psicológica sofrida, e a medida protetiva representou o início de uma nova fase.

“Saí muito ferida, mas viva. Hoje me sinto uma mulher forte, uma loba, como meus filhos me veem”, declara.

Ao final da entrevista, Maria Carla deixou uma mensagem direta para mulheres que enfrentam situações semelhantes:
“Tenha forças para sair. Eu consegui sair viva, mas outras não. Não vale a pena permanecer em um relacionamento abusivo. Lute por você.”

Ela também recorda as dificuldades iniciais, como a viagem para São Paulo para fazer um curso, financiada com o dinheiro de uma rifa, e a falta de recursos até para se hospedar em um hotel. Hoje, reconhecida profissionalmente, ela se diz grata por ter sido ouvida e por estar viva.

A história de Maria Carla é um exemplo de que, mesmo nos momentos mais difíceis, sempre existe uma alternativa — e que o esporte pode ser um poderoso instrumento de transformação, cura e esperança.

Assista a entrevista completa no YouTube:

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