Após quase mil pessoas serem presas em dia de protestos na França, Macron anuncia novas medidas

Foto: Guillaume Pinon/EPA/Shutterstock

Nesta segunda-feira, 26, o presidente da França Emmanuel Macron afirmou em declaração à impresa que o governo anunciará novas medidas para reduzir tensões provocadas pelos protestos no país. Ao mesmo tempo, o chefe de Estado pediu atenção às reivindicações dos manifestantes e alertou para o risco de novos episódios de violência.

No último sábado, 24, manifestantes voltaram às ruas de Paris e outras cidades, como Marselha, Bordeaux e Lyon. Quase mil pessoas foram presas em toda a França. Os protestos reuniram centenas de milhares de pessoas: 410 mil, segundo o Ministério do Interior, e cerca de 800 mil, segundo os sindicatos. A maior parte das manifestações foi pacífica, mas houve confrontos e quase mil pessoas foram presas.

A operação policial incluiu uma unidade de elite normalmente encarregada do combate ao crime organizado e ao terrorismo. Cerca de 70 mil agentes foram mobilizados e restrições foram impostas em várias cidades. As autoridades conseguiram evitar a escala de tumultos e saques do fim de semana anterior, que produziu algumas das cenas de desordem mais graves da história moderna da França, com centenas de estabelecimentos comerciais saqueados e edifícios incendiados.

No início da semana, Macron determinou que apenas manifestações organizadas por sindicatos reconhecidos seriam permitidas. Nos últimos dias, centenas de pessoas foram condenadas à prisão por vandalismo, incêndio criminoso e saques, em julgamentos de rito acelerado.

Os manifestantes protestam contra o aumento do custo de vida, os cortes nos serviços públicos e as más condições nas escolas.

Manifestantes ergueram barricadas improvisadas e atiraram objetos contra os policiais, que avançaram com cassetetes sobre jovens mascarados que quebravam as vidraças de uma concessionária de automóveis. A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar os grupos.

Novas Medidas

Ainda nesta segunda, o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, o ministro da Educação Nacional, Édouard Geffray, e o ministro do Ensino Superior, Philippe Baptiste, reuniram-se com organizações de estudantes do ensino médio e associações estudantis para apresentar um pacote de medidas. Elas já eram aguardadas, depois de várias semanas de mobilização de alunos do secundário e universitários.

Dentre outras mudanças, o governo anunciou criação de 15 mil novas vagas no ensino superior, incluindo cursos técnicos; atualização das bolsas de estudo de acordo com a inflação e liberação de um fundo para a renovação dos edifícios universitários.

Com informações da Reuters, AFP e outras agências.

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