O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. O mercado financeiro esperava um corte de 0,25 ponto percentual, mas parte das instituições apostava na manutenção.
Segundo o BC, as tensões no câmbio e o início do fenômeno El Niño pesaram na decisão. O agravamento da guerra no Oriente Médio também dificulta o trabalho do comitê.
A Selic ficou em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026, o maior nível em quase 20 anos. Desde abril, o Copom fez cinco cortes, em um cenário de queda da inflação.
Em outubro, o IPCA-15, prévia da inflação oficial, ficou em 0,32%, ajudado pela queda nas contas de luz. Em 12 meses, porém, o índice subiu de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta, que é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O IBGE divulga o IPCA cheio de setembro no dia 12.
O Banco Central prevê inflação de 5,2% em 2026, estimativa que deve ser revista na próxima edição do Relatório de Política Monetária, no fim do mês. O boletim Focus, que reúne projeções do mercado, indica 5,22% para o ano. Antes da guerra no Oriente Médio, a projeção era de 3,95%.
A Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. Juros menores barateiam o crédito e estimulam a produção e o consumo, mas dificultam o controle dos preços. Já juros mais altos encarecem o crédito e seguram a demanda. Para o BC, a previsão de crescimento do PIB em 2026 é de 1,8%, e o mercado projeta 1,76%.
O Copom está com a composição incompleta, porque os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, terminaram no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não enviou ao Congresso as indicações dos substitutos.
Fonte: Agência Brasil







