O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, chamou a atenção durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, 3, ao comparar os problemas sociais provocados pelas apostas esportivas com os possíveis impactos econômicos de uma eventual proibição do setor no Brasil. Em sua manifestação, o dirigente reconheceu o drama das famílias endividadas, mas argumentou que o fim das bets também pode provocar desemprego e comprometer a sobrevivência financeira de clubes de futebol, especialmente os de menor porte.
A declaração ocorreu durante debate convocado pelo ministro Luiz Fux, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, que discute os efeitos da medida provisória que busca proibir a operação e a publicidade das empresas de apostas online no país.
Ao se dirigir aos ministros, Montenegro afirmou que o Fluminense reconhece os problemas relacionados ao endividamento das famílias brasileiras, mas defendeu que os efeitos econômicos da medida também precisam ser considerados pelo Supremo.
“Eu ouvi muito se falar sobre drama, o drama das famílias, o drama do endividamento. E isso é verdade, o Fluminense não nega isso. Só que também, Excelência, existe um drama do desemprego. O que que os clubes vão fazer se a receita acabar?”, questionou.
Na sequência, o presidente do Tricolor das Laranjeiras fez uma comparação entre os dois cenários e afirmou que a Corte precisará ponderar os impactos sociais e econômicos da decisão.
“Infelizmente, neste caso, nós teremos que fazer a ponderação entre os dramas. O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer os efeitos do desemprego”, declarou.
Montenegro também alertou para as consequências que a possível perda de receitas pode provocar em toda a cadeia produtiva do futebol, com atenção especial às equipes de menor investimento, que possuem menos alternativas financeiras para substituir os contratos de patrocínio vinculados às empresas de apostas.
Durante a audiência, o dirigente apresentou números sobre a dependência financeira do futebol brasileiro em relação ao setor. Segundo os dados expostos por ele, os clubes da Série A registraram aproximadamente R$ 3 bilhões em receitas comerciais em 2025, dos quais cerca de R$ 1 bilhão teve origem nas empresas de apostas. No caso do Fluminense, o impacto financeiro direto estimado com a medida chega a R$ 200 milhões.
O presidente também criticou o curto prazo previsto para a adaptação dos clubes às mudanças, comparando a iniciativa brasileira com medidas adotadas em outros países, onde restrições à publicidade de apostas foram acompanhadas de períodos de transição mais longos.
A manifestação do Fluminense ocorreu em meio à divergência entre o governo federal e representantes do futebol. Enquanto integrantes do Executivo defenderam a necessidade de combater a dependência em jogos e proteger as famílias dos prejuízos causados pelas apostas, os clubes demonstraram preocupação com a perda de receitas, o que, segundo eles, prejudicaria contratos empregatícios.
Ao encerrar sua participação, Mattheus Montenegro agradeceu a oportunidade de apresentar os argumentos do clube e colocou o Fluminense à disposição do ministro Luiz Fux para contribuir com o debate.







