O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) afirmou que o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) é imigrante ilegal no país e responde a um processo de deportação. A posição foi divulgada pelo órgão americano nesta semana.
Segundo o DHS, Ramagem entrou nos EUA com visto de turista, mas permaneceu no país após o fim do prazo autorizado. O órgão o classifica como “estrangeiro ilegal” e diz que ele está em liberdade enquanto aguarda o resultado do processo. De acordo com o DHS, o pedido de asilo político feito por Ramagem não lhe garante status legal nem protege contra a deportação, e ele terá direito ao devido processo legal.
Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado no governo de Jair Bolsonaro e deixou o Brasil em setembro de 2025. Em abril, foi preso pelo ICE, a polícia de imigração americana, em Orlando, na Flórida. Segundo o DHS, a prisão ocorreu em 13 de abril e a soltura, em 15 de abril.
O empresário Paulo Figueiredo afirmou que não houve pagamento de fiança, e não foi localizado pedido judicial nesse sentido. Na data da soltura, Figueiredo e Eduardo Bolsonaro agradeceram publicamente ao presidente dos EUA, Donald Trump. Eduardo também agradeceu ao secretário de Estado, Marco Rubio. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, disse que Rubio ajudou a acelerar a liberação, o que não foi confirmado. Não há comprovação de qual mecanismo permitiu a soltura nem de que Trump ou Rubio tenham determinado a medida.
O caso provocou uma disputa diplomática. Em 20 de abril, o Departamento de Estado americano suspendeu o credenciamento do policial federal Marcelo Ivo de Carvalho, oficial de ligação da Polícia Federal em Miami, que ajudou a localizar Ramagem, e pediu que ele deixasse o país. O órgão acusou a PF de manipular o sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição. O Brasil havia apresentado o pedido de extradição em 30 de dezembro de 2025, segundo o Ministério da Justiça. Em retaliação, o governo brasileiro suspendeu a permissão de um agente de imigração dos EUA em Brasília, que deixou o país em 22 de abril. O Itamaraty afirmou que os americanos não consultaram o Brasil antes, como exige o acordo sobre adidos policiais.
A Casa Branca não respondeu ao pedido de comentário, e não houve manifestação da defesa de Ramagem nas informações divulgadas.







