A Polícia Federal identificou indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro custeou viagens e jantares internacionais para dois servidores do Banco Central acusados de atuar em favor do Banco Master, segundo relatórios que tiveram o sigilo levantado na última quinta-feira, 10, pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça por determinação do presidente da Corte, Edson Fachin. Os investigadores apontam que Vorcaro teria financiado parte de uma viagem do ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana, acompanhado da esposa, a Paris, além de custear uma viagem do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e sua famíla à Disney, nos Estados Unidos.
Segundo o relatório policial, Vorcaro tratou diretamente com prestadores de serviços no exterior sobre reservas de restaurantes, recepção e logística da viagem de Belline Santana a Paris, chegando a encaminhar o contato do servidor para fechar a programação. Em mensagens interceptadas, ele orienta interlocutores a organizar um jantar no restaurante Lapérouse e um almoço no Loulou, pedindo bons vinhos e comida, o que a PF interpreta como indício de que os gastos seriam bancados por ele. A corporação confirmou que o casal viajou a Paris no período das mensagens, embora não detalhe os valores totais gastos.
Além da viagem à França, a PF aponta que Belline recebia R$ 500 mil por mês do Master, somando repasses de R$ 3,8 milhões. Para a corporação, os valores configuram propina para favorecer o banco. O servidor e os responsáveis pelos pagamentos alegam que os recursos eram destinados a um programa de educação financeira para jovens. O advogado de Belline, Leonardo Palazzi, afirma que a atuação do cliente ocorreu dentro de suas atribuições institucionais e nega qualquer influência de Vorcaro sobre suas decisões.
No caso de Paulo Sérgio, a PF identificou elementos que apontam para o custeio de parte da viagem dele e da família à Disney, com base em diálogos em que o servidor chega a enviar a Vorcaro um roteiro de passeios. A defesa nega irregularidades e sustenta que ele pagou integralmente passagens, hospedagem, ingressos, câmbio e despesas de cartão de crédito, com documentação que comprovaria a origem dos recursos. Segundo os advogados, a viagem já estava programada para as férias escolares de início de 2024, e Vorcaro só soube do passeio durante o agendamento de uma reunião institucional.
Ainda de acordo com a defesa, no dia do embarque Vorcaro ofereceu a Paulo Sérgio uma vaga remanescente em um pacote de acesso prioritário aos parques da Disney e da Universal, que o servidor teria aceitado mediante pagamento de US$ 8 mil em espécie, entregues nos Estados Unidos a uma pessoa indicada pelo ex-banqueiro. Os advogados afirmam que Paulo Sérgio desconhecia um pagamento de US$ 38 mil feito por Vorcaro ao agente de viagens Leonardo Giunchetti, e que não autorizou nem participou dessa transação.
No relatório enviado ao STF, a Polícia Federal conclui que os dois servidores atuaram de forma recorrente na defesa de interesses privados de Vorcaro, extrapolando os limites de suas atribuições no Banco Central. Segundo a investigação, ambos passaram a oferecer orientação técnica reiterada, revisar minutas de documentos destinados ao próprio BC, repassar informações internas sensíveis e participar de reuniões extraoficiais para alinhar estratégias em favor do conglomerado Master.








