O vice-prefeito de Aracaju e candidato ao Governo do estado, Ricardo Marques, afirmou nesta terça-feira, 25, que não exercerá um papel “decorativo” na administração municipal e defendeu a apuração completa da Operação Histograma, deflagrada pela Polícia Civil de Sergipe para investigar suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos em contratos da Prefeitura de Aracaju e da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb).
Em uma publicação nas redes sociais, Ricardo afirmou que seu compromisso é com a população e que a fiscalização da aplicação dos recursos públicos faz parte de suas atribuições.
“Eu disse que não seria um vice decorativo, e não sou. A operação da Polícia Civil na Emsurb e na Prefeitura de Aracaju precisa ser apurada até o fim. Sem blindagem e sem prejulgamento. Respeito institucional não é silêncio. Dinheiro público é sagrado. Quem tiver responsabilidade, que responda”, escreveu.
Na mesma publicação, Ricardo Marques reforçou a defesa pela investigação e afirmou que não considera a cobrança por esclarecimentos uma afronta institucional.
“Fiscalizar e cobrar a correta aplicação do dinheiro público não é afronta, é dever de quem honra o mandato que recebeu.”
O vice-prefeito também afirmou que eventuais responsáveis por irregularidades devem responder perante a Justiça, mas destacou que a apuração deve ocorrer sem prejulgamento.
“Quem não deve, não teme; e quem tiver responsabilidade sobre eventuais irregularidades, que responda perante a lei, sem blindagem e sem prejulgamento, afinal o dinheiro público é sagrado”, declarou.
O posicionamento foi publicado após a Polícia Civil realizar ações em endereços ligados à Prefeitura de Aracaju, à Emsurb, empresas e pessoas físicas. A operação cumpre 12 mandados de busca e apreensão em Aracaju, Barra dos Coqueiros e no estado da Bahia.
Investigação
Durante coletiva de imprensa, a delegada Thaís Lemos, diretora do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), afirmou que as investigações apontam que uma empresa contratada pela Prefeitura de Aracaju teria sido favorecida em contratos emergenciais.
Segundo a delegada, a empresa teria apresentado inicialmente um preço considerado incompatível com a execução do serviço, o que teria afastado outras empresas concorrentes. Depois da contratação, conforme a investigação, foram realizados aditivos e um novo contrato emergencial com valores próximos aos referenciais praticados pelo setor público.
A Polícia Civil também apura se os serviços contratados foram executados integralmente.
Ainda segundo Thaís Lemos, a empresa, que tem sede na Bahia, iniciou sua atuação em Sergipe por meio da Emsurb e posteriormente passou a prestar serviços para a Secretaria Municipal da Educação (Semed), onde teria atuado na contratação de educadores escolares e profissionais de Libras.
Operação Histograma
A Operação Histograma foi deflagrada pelo Deotap, com apoio do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e do Ministério Público da Bahia.
Entre os alvos está o ex-presidente da Emsurb, Hugo Esoj. As diligências ocorrem em Sergipe e na Bahia.
Questionada sobre uma possível relação da operação com a apreensão de R$ 240 mil em espécie encontrada com um servidor comissionado da Semed, em uma ação realizada em junho, a delegada afirmou que, inicialmente, os casos são independentes. Segundo ela, uma eventual conexão poderá ser identificada durante a análise dos dispositivos eletrônicos e demais materiais apreendidos.








