Semed alega que líder comunitária não informou deficiência em matrícula; Viviane contesta e aponta falha no sistema de saúde

Fotos: Reprodução

Durante entrevista ao Jornal da Fan desta segunda-feira, 6, o porta-voz da Secretaria Municipal de Educação de Aracaju (Semed), Nubem Bonfim, se manifestou sobre a polêmica envolvendo a falta de cuidadores para crianças com deficiência nas escolas municipais. O assunto ganhou repercussão após a prisão da líder comunitária Viviane Cristina, no último dia 2 de julho, durante um protesto na creche Monsenhor Moreira Lima, no bairro Lamarão.

O porta-voz informou que a rede municipal conta atualmente com 1.043 cuidadores para atender o público da educação especial inclusiva, mas ressaltou que a distribuição desses profissionais depende da análise individualizada de cada estudante. “Quando o aluno com autismo ou com alguma deficiência é matriculado, no ato da matrícula o responsável já informa se ele tem alguma deficiência intelectual e a gente monta o plano educacional especializado e individualizado. Não é um número simples de dizer que aqui precisa de oito ou dez cuidadores, a gente precisa observar caso a caso”, explicou Nubem, destacando que a quantidade de profissionais por sala varia conforme o grau de deficiência do aluno.

Em relação ao caso específico de Viviane Cristina, o representante da Semed afirmou que a líder comunitária não anexou documentos ou prestou informações indicando que o filho de 5 anos pertencia ao público da educação especial inclusiva. “No ato da matrícula, o responsável deve informar, porque a partir daí a gente cria o plano educacional individualizado para mapear, acompanhar e ver a evolução desse aluno. E dona Viviane, se ela esqueceu ou negligenciou, não juntou nenhum documento e nem passou nenhuma informação dizendo que o filho de 5 anos é do público da educação especial”, disparou Nubem, acrescentando ainda que a criança apresenta frequência irregular nas aulas e que o filho mais velho de Viviane, de 14 anos, não está mais matriculado na rede municipal.

Em resposta às declarações do porta-voz, Viviane Cristina confirmou que o filho mais velho realmente não faz mais parte da rede pública municipal de ensino, mas rebateu a narrativa de que teria negligenciado informações sobre o filho mais novo. A líder comunitária assegurou que forneceu relatórios e encaminhamentos para a escola e justificou que o laudo definitivo ainda não foi entregue devido a falhas no próprio sistema de saúde do município.

“Confirmo sim, porque o meu filho mais novo está com todos os papéis lá para acompanhamento e fechamento de laudo. Meu filho não está frequentando a escola por conta do mais velho que está sem tratamento, porque vou dormir quatro, cinco horas da manhã com meu mais velho em crise. O meu mais novo está precisando de uma psiquiatra, de uma neuropediatra para fechar o tratamento dele, por isso que não foi levado o laudo, porque o município não está oferecendo terapias e tratamentos para que se feche esse laudo”, desabafou Viviane.

A mãe reforçou que a direção da unidade escolar tem plena ciência da situação e que já apresentou os encaminhamentos médicos necessários enquanto aguarda a liberação do relatório oficial pela psiquiatria.

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