O debate sobre o uso excessivo de tecnologia por crianças e adolescentes ganhou novo fôlego com a estreia do filme Toy Story 5, que aborda o tema em sua narrativa. Em entrevista ao Portal Fan F1, a psicóloga infantil Camylle Azevedo, formada pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), explicou os impactos da exposição prolongada às telas no desenvolvimento infantil e alertou para os desafios enfrentados pelas famílias na era digital.
Camylle afirmou que essa questão tem sido uma das maiores preocupações dos pais nos últimos anos. “Quando você tem crianças que estão expostas muito tempos a vídeos, elas têm um ambiente virtual que muitas vezes tem ultra estímulos, recompensas imediatas que são muito mais frequentes do que se a gente comparar na vida real”, disse a psicóloga lembrando da interação mínima entre as telas com as crianças.
A psicóloga também ressaltou a diferença de aprendizagem entre quando o público infantil tem estímulos no mundo real e quando tem estímulos no mundo virtual. “Esse descompasso entre a recompensa imediata, intensa e frequente do mundo virtual com o mundo real faz com que as crianças fiquem mais passivas e tenham menos oportunidades de aprendizagem quando a gente faz essa comparação”, destacou.
Além disso, Camylle falou sobre a responsabilidade dos pais colocarem limites no uso de celulares e tablets. “As crianças dessa geração são crianças que já crescem sabendo manipular tablets, celulares, sendo expostas a essa estrutura virtual de entretenimento. A tecnologia é uma ferramenta e não pode retirar da vida das crianças, mas os pais têm a responsabilidades de colocar regras e, principalmente, controlar o tempo e o tipo de exposição que a criança vai ter quando tiver acesso a essas telas”, afirmou.
A psicóloga também aponta a importância de que os limites sejam inseridos no ambiente escolar. “A seleção e a forma de exposição que deve ser feita para que de fato existam ganhos acadêmicos ou que essa tecnologia tem uma função de aprendizagem acadêmica para essa criança. Entender em quais momentos da estruturação pedagógica ela deve ser ofertada, qual o tempo que deve ser ofertado e principalmente para que ela não substitua a interação entre professor e aluno e, principalmente, entre a criança e os colegas de turma”, disse Camylle.








