Dor nas costas, ombros desalinhados, assimetria corporal e alterações na postura podem ser sinais de uma condição que afeta milhares de crianças e adolescentes em todo o mundo: a escoliose. Durante o Junho Verde, campanha internacional voltada à conscientização sobre a doença, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce para evitar a progressão da curvatura da coluna e reduzir impactos na qualidade de vida dos pacientes.
Segundo a Sociedade Internacional para o Tratamento Ortopédico e Reabilitação da Escoliose (SOSORT), a escoliose é definida como uma deformidade tridimensional em torção da coluna vertebral. Em muitos casos, a condição surge ainda na infância ou adolescência e evolui de forma silenciosa, o que torna a observação precoce um dos principais fatores para o sucesso do tratamento.
De acordo com o fisioterapeuta, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Traumato-Ortopedia, osteopatia e escoliose, Maurício Poderoso, ainda existe muita desinformação sobre a doença, principalmente em relação às suas causas. “É importante esclarecer que escoliose não acontece por má postura, pelo peso da mochila ou porque a criança senta torto. A maioria dos casos é classificada como escoliose idiopática, ou seja, sem uma causa única completamente definida, embora existam fortes influências genéticas e fatores relacionados ao crescimento e desenvolvimento corporal”, explicou.
Ainda segundo Maurício Poderoso, o tratamento depende diretamente da avaliação clínica e da gravidade da curva identificada nos exames. “Os tratamentos são definidos a partir das mensurações da curvatura, mas também consideram fatores como idade, maturidade esquelética, adesão ao tratamento e contexto biopsicossocial do paciente. Casos entre 10 e 25 graus geralmente são tratados com Exercícios Específicos para Escoliose. Entre 25 e 45 graus, pode haver indicação do uso de colete corretivo associado aos exercícios. Já curvas acima de 45 graus normalmente possuem indicação cirúrgica”, destacou.
O especialista também reforça que a atividade física orientada e o acompanhamento multiprofissional possuem papel importante na qualidade de vida dos pacientes. “Quanto mais cedo identificarmos a escoliose, maiores são as chances de evitar progressão da curva, tratamentos invasivos e impactos físicos e emocionais na vida dessa criança ou adolescente”, pontuou.
A campanha Junho Verde surgiu em 2013, por iniciativa da Associação de Escoliose do Reino Unido (SAUK), ganhando força internacional com apoio da Scoliosis Research Society. A mobilização culminou no reconhecimento do dia 26 de junho como o Dia Internacional de Conscientização da Escoliose.
No Brasil, o movimento passou a ganhar ainda mais visibilidade por meio de ações desenvolvidas por especialistas em coluna e instituições voltadas à conscientização sobre a doença, incentivando práticas baseadas em evidências científicas, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento adequado.
Especialistas alertam que observar sinais simples no dia a dia pode fazer diferença no diagnóstico precoce. Alterações no alinhamento dos ombros, quadril desnivelado, costelas mais salientes de um lado do corpo e inclinação do tronco são alguns dos sinais que merecem atenção dos pais e responsáveis.
Além da conscientização, o Junho Verde também busca reduzir estigmas e ampliar o acesso à informação correta sobre a escoliose, contribuindo para que crianças e adolescentes tenham diagnóstico precoce, acompanhamento especializado e melhor qualidade de vida.








