“Quem tem um doente mental em casa, está jogado à própria sorte”, afirma Capitão Samuel sobre fechamento de unidade psiquiátrica em Sergipe

Em entrevista concedida ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, na manhã desta quarta-feira, 20, o pré-candidato a deputado federal por Sergipe, Capitão Samuel, comentou sobre o encerramento das atividades da Unidade de Custódia Psiquiátrica (UCP), oficializado na última segunda-feira, 18.

Durante a entrevista, ele explicou que o debate sobre o modelo de tratamento psiquiátrico começou com a Lei Antimanicomial, criada em 2001, que, segundo ele, teve um objetivo correto ao combater os antigos manicômios. No entanto, o pré-candidato criticou a Resolução nº 487 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), publicada em 2023, que determinou o fechamento dos Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico em todo o país.

“Em vez de fechar, tornar o hospital de custódia psiquiátrico um hospital: dar mais condições de laborterapia, dar condições de fazer o tratamento adequado de acordo com a Nise da Silveira. Mas não, o CNJ decidiu fechar no Brasil inteiro e dizer que é um problema da saúde agora. Então, por exemplo, se hoje alguém tá em casa, dá um surto, mata o pai, mata a mãe, mata o irmão, ele vai ser levado para a delegacia e de lá vai ser levado para um hospital. Que hospital? João Alves? O Hospital de Glória? O Hospital de Estância?”, explica.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de criação de alas específicas para atendimento psiquiátrico em hospitais já existentes, como o Hospital São José, Capitão Samuel afirmou que o atual modelo ainda apresenta limitações no tratamento contínuo de pacientes com transtornos mentais.

“O problema é que essa ala específica de atendimento tá virando os antigos manicômios. Por exemplo, eu sem querer criticar o Hospital São José — e quem quiser, faça uma visita — você chega no Hospital São José, aqueles que estão lá para emergência, ou seja, 15 dias (lá não é para ficar um ano, seis meses; é apenas 15 dias), num hospital, beleza. Mas para o tratamento do adoecimento mental, a pessoa não é somente 15 dias; a pessoa precisa continuar o tratamento. O que é que se entende hoje? Mandar para a rede. Qual rede? O CAPS está funcionando? Tem estrutura? Não tem”, aponta como alternativa.

O pré-candidato também sugeriu que a antiga estrutura da UCP poderia ser reaproveitada para implantação de um novo modelo de assistência psiquiátrica com foco terapêutico e acompanhamento contínuo.

“Talvez se a gente pegasse hoje o prédio onde funcionava o Hospital de Custódia Psiquiátrica, e ali você construísse, fizesse tipo uma clínica ou um hospital com esse viés, você já tem a segurança dos muros, lá tem muito espaço para você fazer a laborterapia, e aí você daria o tratamento adequado”, afirma.

Por fim, Capitão Samuel diz: “Hoje, quem tem um doente mental em casa, está jogado à própria sorte”, conclui.

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