“Estou vivendo o melhor momento da minha maternidade atípica”, diz psicóloga ao relatar evolução do filho com autismo

Foto: Reprodução/Jornal da Fan

A psicóloga e mãe atípica Rejane Dias emocionou ouvintes ao afirmar que vive hoje “o melhor momento” de sua maternidade, durante entrevista concedida nesta quarta-feira, 15, ao Jornal da Fan, apresentado por Narcizo Machado, na Rádio Fan FM.

A declaração foi feita ao relembrar a trajetória ao lado do filho Rafael, de seis anos e meio, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo Rejane, o caminho até aqui foi marcado por desafios, incertezas e muito aprendizado, mas também por avanços significativos no desenvolvimento da criança. “Hoje a gente já consegue conversar, trocar ideias, manter um diálogo. Estou vivendo o melhor momento da minha maternidade atípica”, relatou.

Formada em psicologia há 10 anos, Rejane contou que não atuava com crianças antes do diagnóstico do filho. A experiência pessoal, no entanto, a levou a se especializar em neurodesenvolvimento e a voltar sua atuação para o atendimento infantil. “Quando o autismo não bate na nossa porta, a gente não consegue enxergar esse universo como um todo. Foi um novo jeito de olhar o mundo”, afirmou.

Durante a entrevista, ela destacou o papel fundamental da psicologia no acompanhamento de crianças com TEA, especialmente no auxílio à organização emocional e no suporte às famílias. “A gente ajuda a criança a lidar com emoções que ela ainda não consegue organizar, além de acolher os pais, que também vivem muitas angústias”, explicou.

Rafael iniciou o acompanhamento terapêutico ainda aos dois anos de idade. De acordo com a mãe, ele começou com nível 2 de suporte e, ao longo do tempo, evoluiu para nível 1, com avanços na fala, interação e aprendizado. O tratamento inclui acompanhamento com fonoaudiólogo, psicólogo, além de atividades como musicoterapia e psicomotricidade. “Era muito difícil no início, principalmente por não conseguir entender o que ele sentia. Hoje, ver essa evolução emociona e mostra que todo esforço vale a pena”, disse.

Rejane também chamou atenção para a necessidade de ampliar o debate sobre o autismo ao longo de todo o ano, e não apenas em abril, mês dedicado à conscientização sobre o tema. “O autismo existe todos os dias. A gente precisa falar mais, criar mais empatia e fortalecer políticas públicas que apoiem essas famílias”, destacou.

Ela ainda reforçou que o autismo é um espectro, com diferentes níveis e características, o que exige preparo constante dos profissionais da área.

Ao final, a psicóloga deixou uma mensagem de encorajamento para pais e mães que enfrentam desafios semelhantes “É uma montanha-russa de emoções, mas vale a pena. Cada conquista é muito significativa. A gente abre mão de muita coisa, mas é por um futuro melhor para nossos filhos”, concluiu.

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