“Cada mulher que é morta, é uma de nós que é morta”, lamenta Georlize Teles sobre feminicídios em Sergipe

Em entrevista concedida ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, na manhã desta terça-feira, 24, a secretária de Estado de Políticas Públicas para Mulheres e delegada, Georlize Teles, falou sobre os recentes casos de feminicídios que ocorreram em Sergipe e no Brasil, alertando mais uma vez sobre a necessidade de combater a violência contra a mulher.

Na ocasião, a secretária relatou receber as informações sobre os feminicídios com muita dor, principalmente diante de todas as ações que vêm sendo realizadas para combater esse tipo de crime. “A minha alma está com dor. A minha alma está com muita dor. Porque veja, nós passamos o mês todo intensificando, fazendo uma busca ativa, fazendo um letramento sobre a questão do machismo estrutural […] ontem eu estava no bairro Lamarão, ontem eu estava no IF Sergipe com 300 meninos, conversando com meninos e meninas, dizendo acerca desse machismo estrutural que mata mulheres pela condição de mulher”, relata.

Ela ainda explica que esse tipo de violência ocorre quando a mulher tenta romper com padrões impostos socialmente. “É porque a mulher resolve se insurgir e dizer não. Mulher foi criada para não dizer não. Mulher foi criada para obedecer, mulher foi educada… o papel da mulher desenhado nessa sociedade é muito perverso, culturalmente falando. Desenharam um papel onde ela tinha que ficar ali, onde foi dito para ela ficar. E quando ela percebeu que ela podia sair, podia voar, podia ocupar o seu lugar, ela foi morta por isso. Então veja, eu acordo com o coração sangrando. Porque cada mulher que é morta, é uma de nós que é morta. É parte da sociedade que é morta”, explica.

Georlize também menciona que os índices de feminicídio e de violência contra a mulher em Sergipe podem ser reduzidos, e que o estado tem atuado nisso, mas ainda existem desafios a serem superados. “O Estado de Sergipe tem feito o dever de casa. O problema é que é muito complexo, porque não adianta um ente fazer. É preciso que a gente fortaleça, por exemplo, o Estado de Sergipe tem investido, ontem mesmo a gente lançou o Cartão CMais, e o Cartão CMais já atendeu mais de quase três mil mulheres, com uma parcela de R$ 500, em 6x. Mas isso só a gente não consegue resolver. Por quê? Porque a rede precisa ser tecida, e tecida e fortalecida.”

E complementa: “A rede de proteção, os organismos de proteção dos municípios também […] Mas nós ainda temos 23 municípios que não têm nenhum organismo de proteção à mulher. Veja, só aí a rede já tem um buraco. 23 municípios não têm nenhum organismo, um núcleo, um CREAS, um CRAS, uma secretaria, nada, absolutamente nada que simbolize o compromisso desse município com a mulher que mora lá”, finaliza.

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