Vereadores denunciam falta de assistência e mãe cobra atendimento para filho atípico em Areia Branca

Durante sessão da Câmara de Vereadores de Areia Branca, os vereadores William dos Santos (Podemos) e Junior Gago (PSD) usaram a tribuna para relatar a situação vivenciada por uma mãe de uma criança atípica que está sem acesso à fisioterapia desde março do ano passado. Além disso, destacaram a dificuldade para receber fraldas.

Na ocasião, o vereador William afirmou que visitou a família: “A gente falou sobre aquela moça da rede social, lá do povoado Junco. Estive visitando a família ontem à tarde e a gente viu a situação […] a gente viu a situação da criança, senhor… é de cortar o coração. Não pode a gestão, a Secretaria de Saúde, deixar a criança naquela situação. Tem que acompanhar, tem que dar todo o cuidado. É uma criança autista, uma criança com seus problemas de saúde”, pontuou o vereador.

Completando a fala, pedindo providências: “A gente pede à gestão, pede à Secretaria de Saúde que venha olhar por aquela criança — e todas as outras que a gente sabe que têm o levantamento das situações de saúde do nosso município, das crianças que têm dificuldade”.

Já o vereador Junior criticou a mudança de postura dos políticos após a eleição: “É por isso que o povo anda cismado de político, porque na hora do voto, na hora das eleições, gosta de estar 24 horas do lado do povo. Então a gente fica triste em ver uma situação daquela”.

O 2º secretário, Giseldo dos Passos (PSC) se manifestou contra a rigidez da gestão municipal, defendendo que a assistência não pode ser limitada por regras burocráticas que ignoram a realidade de cada paciente. Sobre a falta de insumos básicos, ele questionou a eficácia dos limites atuais: “Como é que oito pacotes de fralda dá para passar o mês? […] O protocolo tem que ser avaliado caso a caso, porque cada paciente tem uma necessidade diferente”.

Giseldo sugeriu que, para solucionar o problema, é necessário recadastramento individualizado, contratação e valorização e projeto de lei para salários: “Elabore um projeto de valorização de profissionais […] e traga para esta casa que eu tenho certeza que os onze vereadores vão votar a favor”.

Ainda durante a sessão, o vereador Leonidas José (PMN) afirmou que as fraldas são distribuídas para quem não precisa: “Se falou tanto em problema de fraldas, que sinceramente eu… tem muito tempo que alguém reclamou com falta de fraldas a mim, vereador. Agora, tem muita gente esquecida que tem gente que pega a fralda para o doente e usa a família toda. Por isso que as fraldas faltam. Eu conheço casos de pessoas que pegam e vendem, que eu sei”.

E alegou que algumas atribuições não precisariam de apoio de fisioterapeuta: “Não venha dizer que mãe não expõe filho. Não é o caso da do Junco, que eu nem conheço. Agora, vereador Júnior, se a unha está entrando na carne, a mãe pega um cortador de unha e corta, porra. Será se precisa do fisioterapeuta cortar a unha do menino? Não. Se o problema, como o senhor trouxe aqui, é a unha grande, se corta. De não fazer a fisioterapia eu não sei”.

Na oportunidade, o vereador destacou que não concorda que os nomes sejam dados para esperar uma ligação de retorno da saúde: “Quem precisa é quem tem que ir atrás. Venha todo dia aí: ‘Rapaz, meu filho está precisando’. Traga o filho: ‘Olha, tem que fazer’. O povo também se acomoda, Júnior Gago”.

Posicionamento da mãe

Em contato com o Portal Fan F1, Rayanne, moradora do povoado Junco e mãe atípica que se usou as redes sociais para cobrar melhorias, afirmou que não recebeu a visita de nenhuma equipe da prefeitura: “Desde o dia que fiz a denúncia, ninguém da prefeitura veio até a minha casa. A única visita que recebi foi do pessoal do IMUT (equipe multidisciplinar), na terça-feira à tarde. Eles me explicaram algumas coisas e deixaram claro que não são uma equipe de reabilitação, e que nem era para estarem vindo tantas vezes como vieram”.

Na ocasião, ela destacou que recebeu a visita apenas dos vereadores William e Junior Gago e afirmou que se sentiu chateada pelas falas feitas pelo vereador Leonidas: “Ele disse que, se as unhas do meu filho estão entrando no corinho, é só cortar. Como se fosse algo simples, como se não existisse todo um cuidado por trás. Também questionou por que eu não vou toda semana ver sobre a fisioterapia, sendo que ele sabe que não tenho como estar lá sempre. Eu cuido do meu filho, que precisa de atenção constante, e ainda tenho outra criança de 4 anos”.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *