Coronel avalia que ação de Guardas em Lagarto poderia ter outro desfecho caso “tivessem, efetivamente, qualificados”

Em entrevista concedida ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, na manhã desta segunda-feira, 29, o coronel Eduardo Santiago, especialista em Segurança Pública e professor universitário da Universidade Tiradentes (Unit), comentou sobre a ação da Guarda Municipal de Lagarto que resultou na morte de um homem, após serem efetuados disparos de arma de fogo durante uma abordagem.

Durante a entrevista, o especialista trouxe explicações técnicas sobre o procedimento adequado em situações como essa, e citou que existem alguns requisitos para que o guarda receba o direito de portar arma de fogo. Segundo ele, há uma formação específica para ser guarda municipal e outra formação adicional para obter o porte da arma.

“São no mínimo 80 horas de formação, sendo dessas 80 horas pelo menos 52 horas de formação prática para o uso da arma. É um questionamento importante verificar”, revelou ao programa.

Entre os ensinamentos da formação, o coronel destacou a importância de garantir a preservação da vida, indicando que, quando há necessidade do uso da força, os órgãos vitais devem ser evitados.

“Eu não tenho informações específicas de em qual parte do corpo é que efetivamente o rapaz foi atingido, enfim, nos órgãos vitais, etc., mas esse é um dado importante. Agora, por outro lado, o policial, o guarda, eles precisam realmente se defender, mas se defender consoante às regras estabelecidas e permitidas pelo direito. Sem isso, há flagrante violação”, afirmou sobre o ocorrido.

Como conclusão do caso, Eduardo Santiago explicou: “Se os guardas tivessem, efetivamente, qualificados com as técnicas de contenção adequadas, eles conseguiriam, tranquilamente, imobilizar aquele rapaz, não sendo possível até, progressivamente, como fizeram, o uso da arma de fogo, mas usando áreas menos letais do corpo, apenas para que ele ficasse em condição de ser algemado e, eventualmente, estando ferido, deslocado para o hospital”, finaliza.

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