Foi dada a largada: agora é a gestão de Mitidieri contra o populismo de Valmir e a boa imagem de Emília

Domingueira

Por Narcizo Machado

Hoje, domingo, 16 de agosto, marca a largada oficial da mais importante eleição dos últimos 20 anos em Sergipe. Em 2006 tivemos um duelo com pontos semelhantes ao que oficialmente passamos a viver. Apesar das coincidências, 2006 foi mais lendário para a história política de Sergipe. À época, dois grandes líderes e duas máquinas poderosas se enfrentaram.

Os protagonistas de 2006 foram Marcelo Déda e João Alves Filho. Um no comando da Prefeitura de Aracaju, Déda, no auge da popularidade e o outro no comando do Governo do Estado. João Alves, empenhado na construção da ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros.

A primeira coincidência é das máquinas. Depois de 20 anos, elas voltam a estar em projetos eleitorais distintos. Talvez, hoje, o grupo governista reconheça o erro estratégico de 2024 em Aracaju, quando perdeu a capital para Emília Corrêa (PL). A segunda similitude é a presença de Lula como protagonista e neste pleito estando no palanque de Fábio Mitidieri.

Uma diferença é que o segundo nome mais forte desta disputa está sem um presidente no seu palanque. Valmir de Francisquinho está sem esse reforço, e isso pode se tornar um problema.

Em 2006, João Alves Filho apoiou Geraldo Alckmin. O tucano venceu em Aracaju no primeiro turno e apertou o resultado no estado: Lula ficou com 47,33% e Alckmin com 44,36%. No segundo turno, o petista venceu com folga (60,16%), contando com o empenho do aliado Déda, já eleito governador.

O pleito que começa hoje é a repetição de um dos confrontos de 2022, agora com os adversários em consistências diferentes. Não é exagero afirmar que Valmir e Fábio, em 2026, não são os mesmos de quatro anos atrás.

Falar dessa polarização e da dificuldade de qualquer outro nome furar esse bloqueio não é falta de respeito com os demais candidatos. É apenas uma constatação de cenário. Teremos dois personagens principais: Fábio Mitidieri (PSD) e Valmir de Francisquinho (Republicanos).

Tendo ultrapassado todas as barreiras impostas na eleição de 2022, Mitidieri entendeu que só lhe restava um caminho: fazer um governo de resultados e transformar os feitos em cabo eleitoral e argumento de campanha.

Gostando ou não da figura de Mitidieri, uma coisa os números mostram, sua gestão apresenta indicadores positivos. E por óbvio, esse é seu trunfo, destaca os dados como históricos.

Os aliados de Fábio vão para a rua argumentar que na Segurança Pública, Sergipe saiu de um dos estados mais violentos do país para se tornar o mais seguro do Nordeste e o terceiro do Brasil. Na economia, o estado registrou a menor taxa de desemprego da série histórica (7,7%) e o maior estoque de empregos formais já medido, superando 360 mil carteiras assinadas. Pela primeira vez com mais trabalhadores formais do que famílias no Bolsa Família.

Na Educação, o estado saiu da posição de penúltimo em alfabetização para receber o selo ouro entre os dez melhores do país e passou a entregar uma escola reformada a cada 12 dias. Na Saúde, o Hospital do Câncer, que estava com 8% de execução e se arrastava há 15 anos, foi concluído; o programa Opera Sergipe já ultrapassou 62 mil cirurgias; a frota do SAMU foi 100% renovada e um helicópteros passou a operar para saúde. Esses dados serão reivindicados por Mitidieri e formarão o discurso de “gestão de resultados”.

A oposição usará como argumento um levantamento do G1, no entanto, mostrou que, das 24 promessas de campanha de 2022, 10 foram cumpridas integralmente, 6 parcialmente e 8 ainda não. Ou seja: há avanços concretos e mensuráveis, mas também pendências.

Este é um dos contextos diferentes de 20 anos atrás, quando João Alves, focado na ponte, deixou outras áreas em segundo plano e transformou aquela obra em questão de honra.

Faltou a Fábio ser um pouco mais popular, menos gabinete e mais povo. Este será seu principal desafio até 4 de outubro. O ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, é, sem dúvidas, a maior liderança popular produzida nos tempos recentes. Sua boa estratégia de redes sociais, ajuda a criar narrativas e realidades nem sempre concretas. Imaginemos o Valmir de 2022, contra o qual não havia argumentos, limites e padrões claros.

Os sergipanos estavam dispostos a “pagar para ver”. O Valmir de 2026 é forte, mas não é o mesmo adversário.
Além das complicações jurídicas, com suas condenações por improbidade administrativa ele enfrenta um pedido de impugnação que alega, entre outros pontos, “desincompatibilização fraudulenta”.

As informações sobre sua gestão em Itabaiana serão esmiuçadas para a devida análise dos eleitores. O popular Valmir fez de Itabaiana uma vitrine em 2022. Sem dúvidas, a capital do Agreste será pauta ao longo dos próximos 50 dias, até o sufrágio universal.

Valmir, além de sua história e gestão, tem uma grande aliada: a prefeita Emília Corrêa, que, como já dissemos na edição passada desta coluna, está dedicada à eleição e não pretende passar para a história como negligente em seu apoio ao agrupamento. Emília será decisiva para Francisquinho.

Que o povo sergipano, do alto de sua eterna sabedoria, faça a sua escolha. Que vença quem melhor conquistar mentes e corações.

Ah, e, por favor, nos tragam muitas polêmicas. Estamos aqui para mais uma jornada de grande cobertura.

NOTAS DA SEMANA

Debate Senado

Todos os candidatos ao Senado que são dos partidos com representatividade importante no Congresso Nacional e que pontuaram com bom desempenho nas pesquisas foram convidados para participar do debate promovido pela Fan FM, pelo Jornal da Fan, na próxima quarta-feira, 19.

Debate para o Senado II

André David, André Moura, Edvaldo Nogueira, Eduardo Amorim e Rogério Carvalho usaram a tática de ficar um esperando pelo outro e não confirmaram participação. André David e Eduardo responderam de forma transparente negando ida, os demais deram o silêncio como resposta, apesar de enviarem suas assessorias para a reunião.

Debate ocorrerá com quatro

Com as presenças de: Alessandro Vieira, Coronel Rocha, Iran Barbosa e Rodrigo Valadares, o debate ocorre na próxima quarta-feira, 19, nos estúdios novos do Jornal da Fan, com transmissão pela sintonia da 99.7 e pelo YouTube do Portal Fan F1, a partir das 7h.

Agenda inicial

Fábio Mitidieri e Valmir de Francisquinho optaram por iniciar as atividades de rua com adesivaços. Valmir estará no Bairro Industrial e Mitidieri começa nas imediações do Parque da Sementeira. É um bom teste de popularidade. Nas próximas horas e nos próximos dias, as ruas dirão quem teve melhor aceitação.

Impugnação de Valmir

A assessoria jurídica do Solidariedade pediu que na audiência da próxima quarta-feira, 19, as testemunhas arroladas, que são todas de Itabaiana, sejam ouvidas em vídeoconferência. A desembargadora Ana Bernadete acatou o pedido e elas serão ouvidas no Fórum da cidade. A defesa de Valmir não arrolou testemunhas.

Impugnação de Valmir II

Um pedido que foi negado pela desembargadora, se refere a solicitação de que o TRE-SE oficiasse o STJ para saber se no processo que está sob a responsabilidade do ministro Kukina, se há ou não decisão que desfavoreça Valmir. A argumentação dela, é que o processo é público e que as partes podem acessar e anexar as devidas provas aos autos.

Litigância de Má-fé

A defesa de Valmir anexou ao processo uma petição, pedindo a condenação do Solidariedade por litigância de má-fé. Segundo a peça, o partido estaria provocando incidentes infundados e usando o processo com intuito protelatório e de constrangimento político. A defesa afirma que essa conduta viola os deveres de lealdade e boa-fé processual (art. 80) do Código de Processo Civil e pede a aplicação das sanções previstas nos arts. 80 e 81 do mesmo código.

Ricardo falta com a verdade

Quando afirma em vídeo que está sendo censurado por falar da falta de água e criticar a Iguá, o candidato Ricardo Marques falta com a verdade. A Justiça Eleitoral determinou a retirada, em 24 horas, do vídeo publicado com essa argumentação. O motivo da condenação anterior foi por impulsionar propaganda eleitoral negativa antecipada.

Ricardo falta com a verdade II

Ricardo afirmou no vídeo que havia sido “processado por falar a verdade” e que a ação judicial seria uma tentativa de censura por denunciar a falta de água no estado. Segundo a decisão do juiz auxiliar da propaganda, Leonardo Souza Santana Almeida, a narrativa é falsa. A representação não questionava o conteúdo das críticas sobre o abastecimento de água. O objeto era o impulsionamento pago de conteúdo político-eleitoral negativo, conduta vedada pela legislação.

Ricardo comete erro

Nos tempos atuais, mais vale a narrativa que a verdade e, neste ponto, Ricardo comete esse erro de tentar tornar uma falsa versão em verdade absoluta. O magistrado considerou que o vídeo atribuiu deliberadamente à ação judicial uma finalidade de silenciamento que não corresponde ao processo real, configurando fato sabidamente inverídico. Determinou a remoção da publicação sob pena de multa diária de R$ 10 mil, limitada a R$ 100 mil.

Vídeo foi retirado do ar

Após ser notificado da decisão judicial, às 10h deste domingo, 16, Ricardo Marques retirou o vídeo das redes sociais.

Sem vice

Ricardo Marques está sem vice em sua chapa. A Pastora Salete comunicou em vídeo a sua saída argumentando que a fala de Rodrigo sobre a prioridade para o Senado foi desrespeitosa. Salete que é filiada ao PL e vereadora na Barra dos Coqueiros, declarou apoio a Valmir de Francisquinho.

No máximo amanhã

Segundo Ricardo Marques a tendência é que o anúncio seja feito no mais tarde amanhã. A decisão deverá ser tomada hoje e o anúncio até amanhã. Essa foi a expectativa revelada por Ricardo Marques.

O julho dos candidatos no Insta

A Domingueira através da equipe do Portal Fan F1 realizou um levantamento minucioso nas postagens dos candidatos ao Governo de Sergipe nas suas respectivas contas no Instagram. As informações que você lerá a seguir trazem as diferentes estratégias empregadas.

Volume e domínio da narrativa

Fábio e Valmir concentraram 181 das 249 postagens de julho. Quase 75% do total. Mitidieri foi o único presente todos os dias com 103 posts. Valmir manteve ritmo quase diário com 78. Os números mostram que a disputa digital se reduziu a dois. Os demais ocuparam espaços secundários ou ainda estavam se organizando. Volume, no caso, traduz capacidade de ocupar a agenda das redes de forma contínua.

Estratégia de Mitidieri

O conteúdo é institucional e de resultado: #FábioQueFez e o quadro #VidasTransformadas com depoimentos de beneficiados por ações do seu governo formam o eixo. A presença no interior sempre aparece atrelada à entrega de obras. Há tentativa de humanização via homenagens e datas comemorativas, além de trânsito religioso entre evangélicos e católicos que compuseram 7 posts. Comunica vendendo sua gestão como seus principal produto.

Estratégia de Valmir

Valmir apostou em agenda de rua e narrativa de origem humilde. Usa a própria história de superação como recurso de identificação e rebate ataques com frequência. O volume elevado de posts sobre a convenção do Republicanos revela esforço explícito de reafirmar a candidatura diante das questões da sua elegibilidade. Ele usa tom populista com criticas a problemas concretos do dia a dia e se apresenta como solução. Valmir também usa a tática de se apresentar como “vítima do Sistema”.

O nicho de Ricardo Marques

Ricardo trabalha no formato “problema + proposta”. É o que mais busca interatividade com o público fazendo a comunicação de duas vias, abrindo espaço para a participação dos seus seguidores. Ele busca engajamento direto com o público. A agenda de rua existe, mas o eixo central é o vínculo explícito com a família Bolsonaro e as pautas do PL. Diferente dos dois líderes, não vende gestão própria nem trajetória de superação: vende crítica estrutural associada a uma identidade política já consolidada.

Helton e Cacho ainda em construção

Helton publicou pouco e recorreu a conteúdo antigo ou colaborativo com suas correligionárias Sônia Meire e Linda Brasil. Seu perfil é de base: mobilizações, escala 6×1, MST e sindicatos. Cacho praticamente não existiu em julho. Ambos ainda montam sua presença digital enquanto Fábio e Valmir já disputavam a narrativa diariamente.

Semelhanças estratégicas

Apesar de posições opostas, Fábio e Valmir usaram ferramentas parecidas: depoimentos, divulgação de pesquisas quando lideram, trends para público jovem e presença religiosa. A diferença está na origem do discurso. Um fala de dentro do governo, com tom institucional. O outro fala de fora, por isso precisa ocupar a rua e reafirmar, o tempo todo, que a candidatura segue de pé.

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