Durante entrevista ao Jornal da Fan desta terça-feira, 21, o vendedor ambulante Denisson Mendonça se manifestou sobre a repercussão de um vídeo que viralizou nas redes sociais na última segunda-feira, 20. As imagens mostram uma abordagem de policiais militares determinando a retirada do seu triciclo de doces da Orla de Atalaia, em Aracaju.
Dono do equipamento que opera no local desde o ano passado, Denisson relatou que vem tentando a regularização junto à Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), mas sem êxito. O vendedor explicou que o triciclo está cadastrado no nome de sua esposa, mas, devido a problemas de saúde psicológica enfrentados por ela, ele assumiu o trabalho enquanto aguarda a liberação oficial.
“Já faz quase um ano nessa tentativa. Foi dinheiro investido. A cada dia tentamos melhorar não só a aparência do triciclo, para agregar valor ao local e aos clientes, mas todo o investimento e suor parecem ter sido jogados no lixo, porque não estamos tendo oportunidade”, declarou o trabalhador, ressaltando que a atividade é a única fonte de renda da família.
O ambulante criticou a postura dos agentes durante a ação policial, classificando a abordagem como “vergonhosa” e afirmando ter sido alvo de gritos e ameaças. “Pediram para eu me retirar imediatamente, caso contrário iriam chutar e danificar o que construí. Olhei para trás e pensei: ‘Poxa, você vai destruir o que eu construí, cara?’. Ele me deu 15 minutos e ameaçou me levar à delegacia se eu não saísse naquele tempo”, relatou.
Questionado sobre os alertas prévios de que não poderia comercializar no espaço, Denisson reconheceu que recebeu notificações sobre a irregularidade, mas alegou falta de suporte do município. “Eu estava irregular, mas buscando me regularizar. Todas as ferramentas que me entregaram para tentar a licença não deram em nada até agora”, disse. O vendedor revelou ainda que a prefeita da capital, Emília Corrêa, entrou em contato para orientá-lo sobre novos canais de atendimento e garantiu que vai acompanhar o caso.
Em resposta ao ocorrido, o tenente-coronel da Polícia Militar de Sergipe (PMSE), Jorge Cirilo, apresentou o posicionamento da corporação e alegou que as imagens em circulação foram descontextualizadas de um fato ocorrido há mais de 30 dias.
Segundo o oficial, a guarnição foi acionada para atender a uma ocorrência em aberto há mais de três semanas, envolvendo denúncias de ameaças sofridas por um comerciante regularizado na área. No local, os policiais encontraram um fiscal da Emsurb constatando que Denisson atuava sem licença e ocupando a calçada destinada aos pedestres.
“Mesmo os autorizados, não podem obstruir o passeio público, pois as pessoas precisam transitar. A partir daí, ele foi orientado a sair. Num primeiro momento resistiu, mas depois entendeu a posição da Polícia Militar. Ele não foi proibido de comercializar”, destacou Jorge Cirilo, acrescentando que a equipe auxiliou na realocação do ambulante para um ponto autorizado a cerca de 100 metros do local.
O tenente-coronel frisou que os PMs designados para o atendimento a ambulantes passam por seleção de perfil profissiográfico, exigindo cortesia e gentileza. “A Polícia Militar está aqui para ajudar, somos o braço forte do Estado e não temos a intenção de reprimir o trabalhador”, afirmou, colocando a corporação à disposição do vendedor para orientá-lo sobre normas de segurança e convivência.
Apesar das explicações do comando da PMSE, Denisson contestou a versão oficial e reafirmou ter havido excesso por parte do sargento responsável pela abordagem. “A forma como ele disse que me ajudou a recolher as cadeiras foi quase quebrando o material”, rebateu o comerciante.
Posicionamento da Emsurb
Em nota, a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) esclareceu que o vendedor Denisson Mendonça já havia sido notificado anteriormente sobre a ocupação irregular de espaço público na Orla da Atalaia e que, no entanto, permaneceu no local.
Além disso, o órgão informou que o pedido de autorização para comercialização foi indeferido em razão da fase inicial de elaboração do Plano de Gestão Integrada (PGI) das Orlas, que é um instrumento obrigatório para a renovação da concessão dos espaços públicos costeiros ao município e que estabelecerá as diretrizes e os padrões de ordenamento para as orlas da capital.
A Emsurb também declarou que permissionários que atuam regularmente na área já haviam comunicado à fiscalização reclamações sobre a conduta do vendedor, incluindo o descarte inadequado de resíduos e o tratamento desrespeitoso com outras pessoas.








