Cristinápolis: estudantes denunciam superlotação do transporte universitário e dificuldades de acesso ao serviço

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Estudantes universitários do município de Cristinápolis, na região Sul do estado, denunciaram publicamente a precariedade do transporte oferecido pela prefeitura para deslocamento até Aracaju e outras municípios. As reclamações envolvem superlotação, condições inadequadas dos veículos e dificuldades de acesso ao serviço, que têm impactado diretamente a vida acadêmica dos alunos.

Segundo os estudantes, apenas um ônibus é disponibilizado diariamente, com capacidade para cerca de 40 passageiros, enquanto a demanda ultrapassa 60 universitários. Para conseguir uma vaga, os alunos relatam que precisam colocar seus nomes em listas logo nas primeiras horas da manhã, mas muitos acabam ficando de fora devido à lotação.

Além da limitação de vagas, há denúncias de situações consideradas perigosas. Relatos apontam que o veículo já circulou com excesso de passageiros, com estudantes sentados na escada ou próximos ao motorista. Também há críticas quanto ao estado do ônibus, descrito como inadequado para viagens intermunicipais de aproximadamente 2h30, com assentos desconfortáveis e estrutura voltada ao transporte escolar infantil, não a adultos.

Os problemas, segundo os universitários, começaram ainda no início do semestre letivo de 2026, quando ficaram cerca de duas semanas sem qualquer transporte, perdendo aulas consideradas fundamentais. Quando o serviço foi retomado, a organização passou a ser feita de forma improvisada, inclusive com disputas por vagas em um grupo de mensagens no WhatsApp.

Diante da situação, uma comissão de estudantes se reuniu com o prefeito do município, Sandro de Jesus (PT). De acordo com os relatos, a resposta apresentada gerou revolta: o gestor teria condicionado a ampliação do transporte à alta ocupação dos veículos e sugerido que, caso isso não ocorresse, os próprios estudantes arcassem com custos como combustível. Ainda segundo os alunos, houve orientação para aumentar a lotação do ônibus além do recomendado, com a ocupação de três pessoas por banco, que segundo os estudantes, era inviável.

Os estudantes afirmam possuir registros em áudio da reunião e relatam que, apesar da repercussão do caso, não houve posicionamento público oficial por parte da gestão municipal.

A mobilização ganhou apoio da União Nacional dos Estudantes (UNE), que auxiliou na elaboração de um ofício enviado à Secretaria Municipal de Educação na última sexta-feira, 10, solicitando providências urgentes e a ampliação da frota.

Em manifesto, os universitários classificam a situação como “descaso sistemático” e destacam que, embora o transporte universitário não seja uma obrigação constitucional direta dos municípios, a oferta do serviço implica o dever de garantir qualidade, regularidade e equidade, conforme os princípios da administração pública e o direito à educação.

Entre as principais reivindicações estão a disponibilização de uma frota adequada à demanda, com veículos confortáveis e seguros; a garantia de transporte sem interrupções; maior transparência na gestão dos recursos destinados ao serviço; e o fim qualquer de tipo de cobrança ou condicionamento imposto aos estudantes.

Enquanto a situação não é resolvida, alguns estudantes relatam que estão cogitando trancar o curso, enquanto outros afirmam já ter aceitado a reprovação por falta, evidenciando o impacto direto da situação na permanência e no desempenho acadêmico dos universitários de Cristinápolis.

Tentamos contato com a gestão municipal, mas até o momento da publicação desta matéria não obtivemos resposta.

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