A Operação Caatinga Resiste identificou 10.434 hectares de desmatamento ilegal no semiárido brasileiro, sem autorização para supressão de vegetação, em nove estados. O balanço preliminar foi apresentado nesta sexta-feira, 20, durante coletiva de imprensa em Aracaju. A ação ocorreu entre os dias 9 e 19 de março de 2026.
Participaram da operação Ministérios Públicos, órgãos ambientais e forças policiais de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Em Sergipe, mais de 40 alvos foram fiscalizados. Foram constatados cerca de 700 hectares de desmatamento ilegal, com aplicação de R$ 1.308.419,00 em multas. A ação contou com a atuação da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) e da Polícia Militar.
No país, a operação fiscalizou 324 alertas de desmatamento identificados por monitoramento remoto via satélite. Até o momento, foram embargados 6.673 hectares e aplicadas quase R$ 27 milhões em multas, atingindo aproximadamente 295 imóveis rurais.
A iniciativa é da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), por meio do projeto Caatinga Resiste, com coordenação nacional do Ministério Público de Sergipe (MPSE).
Os estados com maior área fiscalizada foram Pernambuco (2.752,12 hectares), Ceará (2.062,54 hectares) e Piauí (1.583,32 hectares). As principais irregularidades envolvem a supressão de vegetação nativa sem autorização e inconsistências em registros ambientais, como cadastros rurais.
Durante a operação, também foram registradas outras infrações ambientais, como apreensão de animais silvestres, extração ilegal de areia e minério, uso irregular do fogo e exploração ilegal de madeira. Em Sergipe, houve flagrante de extração ilegal de minério no município de Lagarto. Os dados ainda são preliminares e podem ser atualizados com a consolidação das informações.
A força-tarefa utiliza alertas de desmatamento do MapBiomas e o cruzamento de dados de sistemas como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Sinaflor e as Autorizações de Supressão de Vegetação (ASVs), além de fiscalizações presenciais e remotas. Nos casos com irregularidades, o Ministério Público deve adotar medidas extrajudiciais e judiciais para interromper os danos ambientais, promover a reparação e responsabilizar os infratores.








