“Se o custo do barril de petróleo aumentar, na prática é enxugar gelo”, diz economista sobre retirada de impostos para conter alta do diesel

Durante entrevista concedida ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, o economista Rodrigo Rocha falou sobre as medidas do governo federal para conter a alta do diesel, o que inclui a retirada de impostos e subsídios que prevêem diminuição de 64 centavos por litro nas refinarias. Na oportunidade, ele explicou essas mudanças significam na prática.

Durante a entrevista, o especialista explicou o cenário atual com os conflitos internacionais: “Um conflito como o que está acontecendo lá é imprevisível. Na prática, o que os mercados fazem é precificar tudo. Qual é o custo que vai ter, e aí você tem que pensar o seguinte: quando a gente está falando do custo, a gente está falando de toda a logística para trazer esse combustível para o Brasil. […] Na prática, o que o governo federal está tentando fazer é reduzir o dano, mas não dá para saber se vai ser suficiente no seguinte sentido: se o custo do petróleo, do barril de petróleo aumentar demais, o que você vai estar fazendo na prática é enxugar gelo”.

O economista alertou que a estratégia tem um limite, se esse preço sobe no internacionalmente, devido aos conflitos externos, as medidas não vão surtir o efeito desejado.

“Se permanecer nesses patamares que está, ou até mesmo reduzir, esse apoio que o governo está tentando dar através dessa isenção de impostos, através de medidas como desestimular a exportação — ou seja, vender o nosso petróleo para outros países a partir do momento que fica mais cara essa exportação —, até os próprios subsídios dados diretamente para as empresas que aderirem ao programa, onde eles tentam reduzir ali algo em torno de 64 centavos no litro, isso pode ser, num primeiro momento (e é o que está acontecendo), um alívio. Mas se o conflito se estender por mais tempo e continuar gerando esse aumento no preço do barril de petróleo, infelizmente esse custo pode fugir do controle e aí realmente o impacto vai ser bem maior para toda a sociedade”.

Rodrigo Rocha finalizou o assunto pontuando que o cenário atual se deve a economia globalizada: “A gente tem que entender que a economia tem uma interligação muito grande. Às vezes você pode até nem precisar do produto em si que vai estar sendo negociado no mercado internacional, mas dependendo do tamanho do impacto desse produto no mercado, você pode mexer com o dólar. […] E na prática a nossa economia ela compra muito produto de fora e compra em dólar. Se o dólar ficar mais caro, a gente acaba pagando muito mais caro pelos produtos que a gente traz de fora”, concluiu.



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