Aumento de trotes preocupa Corpo de Bombeiros de Sergipe; “Brincadeira de mau gosto que pode custar vidas”, alerta porta-voz

Foto: Corpo de Bombeiros

O Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe registrou um aumento superior a 13% no número de trotes, cenário que preocupa a corporação por colocar em risco vidas e comprometer o atendimento a ocorrências reais. O alerta foi feito pelo porta-voz da instituição, major Augusto Cordeiro, em entrevista concedida ao repórter João Figueiredo.

Segundo Cordeiro, o trote é uma “brincadeira de mau gosto que pode custar vidas”, praticada tanto por crianças quanto por adultos. Ele destacou que, embora o CIOSP realize uma triagem das ocorrências, muitos chamados falsos ainda conseguem passar pelo sistema, atrasando o atendimento de emergências reais. “Esses trotes podem levar o bombeiro a atrasar uma ocorrência real, custando vidas de outras pessoas”, afirmou.

O major Augusto Cordeiro explicou também que o impacto vai além do atraso no socorro. “Quando a gente sai daqui [sede] para uma ocorrência, a gente vai no código 3, como a gente costuma dizer, e no trânsito pode ocasionar outro acidente”, alertou. Ele ressaltou ainda o estresse emocional das guarnições, o risco à vida dos bombeiros e da população, além do gasto de dinheiro público com viaturas, combustível e manutenção.

“O deslocamento pode impedir que uma vítima real seja atendida naquele momento, como um infarto, uma casa pegando fogo com vítimas presas ou um carro incendiado com vítimas nas ferragens”, completou o porta-voz.

Questionado sobre o perfil de quem pratica os trotes, o major confirmou que ainda são, em sua maioria, crianças e adolescentes, mas destacou que adultos também cometem o crime. Ele reforçou que os pais são responsáveis pelos atos dos menores e podem ser penalizados. “Eles podem responder criminalmente porque está no Código Penal, o crime de trote também está lá”, explicou.

De acordo com o porta-voz, a pena pode variar. “Ela pode ser mais branda, vai de um ano a seis meses de prisão”, afirmou, pedindo reflexão aos responsáveis e aos autores. “Uma vida é muito importante para todo mundo, e o trote pode custar uma vida.”

Sobre a triagem das ligações, o major explicou que o processo passa inicialmente pelo call center do CIOSP e, em seguida, pelos bombeiros. Ainda assim, alguns trotes conseguem avançar. “Isso gera prejuízo no tempo-resposta, ocupa a linha com um falso comunicado e pode atrasar o atendimento de uma vítima real, levando à perda de vida”, disse.

Somente em janeiro deste ano, mais de 130 ocorrências falsas já foram registradas. O número preocupa ainda mais diante do aumento de atendimentos reais relacionados a incêndios, desmoronamentos e ocorrências causadas pelas chuvas recentes.

“Essa brincadeira de mau gosto é crime, está no Código Penal. A gente pede que os pais, como responsáveis, tomem cuidado com suas crianças”, alertou o major.

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