Em nova audiência na Itália, Carla Zambelli pede troca de juízes que vão decidir sobre extradição

Lula Marques/EBC

Em nova audiência nesta terça-feira, 20, a Justiça italiana deve decidir se atende ou não ao pedido de extradição da ex-deputada federal cassada, Carla Zambelli, ao Brasil.

Após decisão do STF que a condenou a 10 anos de prisão por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, Zambelli fugiu para Itália, onde foi presa em uma ação conjunta da Polícia Federal com autoridades italianas.

A defesa de Zambelli solicitou a troca dos magistrados durante a audiência, que ocorre na Corte de Apelação em Roma. Agora o tribunal deve decidir o prazo para responder a contestação e, por conta disso, a decisão sobre a extradição não deve sair hoje.

Caso seja adiada, essa será a quarta vez que a decisão é prorrogada. O julgamento foi adiado três vezes no ano passado. Na primeira vez, que ocorreu no final de novembro, a defesa da ex-deputada aderiu a uma greve de advogados na Itália. Na segunda, que ocorreu em dezembro, novos documentos foram apresentados à Corte, pelos advogados dela. A terceira vez ocorreu no dia 17 de dezembro, véspera do dia do julgamento, pois chegaram à corte italiana documentos enviados pelo STF, que indicavam onde a ex-parlamentar cumpriria sua pena.

Carla Zambelli ficaria na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colméia. Foi por conta desses documentos que a defesa dela solicitou, novamente, o adiamento do julgamento pela terceira vez.

Em dezembro, o Supremo Tribunal Federal determinou a cassação do mandato de Carla Zambelli, revertendo uma decisão anterior da Câmara dos Deputados. Três dias depois, ela protocolou uma carta de renúncia na Câmara.

Condenada pelo Supremo, a ex-deputada deixou o Brasil, passando pelos Estados Unidos antes de se estabelecer na Itália. Com cidadania italiana, Zambelli é considerada foragida da justiça brasileira.

Presa no país europeu, ela declarou que pretende ser julgada ali e afirmou não ter envolvimento no ataque aos sistemas do CNJ. A Justiça italiana decidiu mantê-la detida durante o processo, alegando risco de fuga.

Ela também acumula outra condenação na justiça, esta por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, pelo caso que ocorreu às vésperas do primeiro turno das eleições de 2022, quando perseguiu armada um homem negro na rua, em São Paulo. Zambelli foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão pelo STF.

*Com informações do G1, Carta Capital e Terra

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