Em entrevista concedida ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, na manhã desta segunda-feira, 5, o historiador e professor Paulo Teles comentou sobre a operação dos Estados Unidos (EUA) que teve como objetivo a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Na ocasião, o especialista citou situações que podem gerar impactos nos campos político, econômico e social. Segundo ele, nessas três esferas, o conflito entre a Venezuela e os Estados Unidos poderia influenciar diretamente o Brasil.
“Temos a expectativa não é muito interessante em três aspectos. No campo político, pressões sem relação às pressões de 2026, que serão eleições muito preocupantes. Afinal de contas, a enxurrada de fake news com inteligência artificial, a proliferação de falsas notícias, a proliferação de falsas informações, de falsas imagens, vai dificultar o processo de eleição e tende a tensionar ainda mais o cenário político nacional. Até porque o atual presidente Lula tem uma posição marcada pela defesa do multilateralismo, economicamente muito mais próximo da China, é uma das lideranças do BRICS e do Sul Global, que hoje é um grupo que oferece uma certa ameaça à hegemonia americana”, explicou Teles.
Já com relação ao campo econômico, o professor explicou que o interesse estratégico estaria baseado na disputa pelas terras raras, minerais fundamentais para os avanços tecnológicos. “No campo econômico nós teremos pressões em relação à questão das terras raras. O Brasil é um país que é o segundo maior, a segunda maior reserva de terras raras, que são minerais estratégicos para a corrida tecnológica, nanocomputador, nanochip, etc., e, consequentemente, o Brasil vai se tornar alvo de interesse não só da China, que já é evidente, como também dos Estados Unidos”, explicou.
Por fim, Fábio Teles pontuou a possível influência no campo social brasileiro caso houvesse uma guerra civil na Venezuela, já que o país faz fronteira com o Brasil, em Roraima, estado do Norte do país. “Haverá pressões sociais, caso esteja desencadeada uma guerra civil na Venezuela. Afinal de contas, nós somos país fronteiriço da Venezuela e aí, no caso de guerra civil, a migração de pessoas para o nosso território será inevitável, o que vai acabar pressionando as nossas estruturas de assistência social”, finalizou.








