A Anvisa autorizou, nesta sexta-feira, 4, a importação e utilização de um medicamento experimental de forma excepcional para o tratamento do influenciador Lito Sousa, que foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
O medicamento ALN-6457 se encontra em estágio prévio ao desenvolvimento clínico, sem estudos clínicos iniciados formalmente para a doença em seres humanos. O influenciador será o primeiro a receber o medicamento.
O Hospital Israelita Albert Einstein, onde Lito realiza o tratamento, solicitou a autorização excepcional para uso individual do medicamento, por meio de importação por pessoa física, já que o influenciador foi aceito em um programa de uso compassivo de uma empresa no exterior.
Segundo a Anvisa, a avaliação considerou que a doença tem evolução rápida, letal e irreversível. Outra motivação para o caráter excepcional da medida foi a falta de patrocinador ou representante responsável no Brasil.
Após a autorização da agência, a importação do medicamento deverá ser realizada pela equipe do paciente.
Diagnóstico de Lito Sousa
A confirmação do quadro de Lito foi divulgada por sua esposa, a empresária Mila Seidl, em 21 de agosto, após semanas de investigações neurológicas conduzidas em São Paulo.
De acordo com o relato da família, o produtor de conteúdo apresenta perda progressiva de movimentos corporais, embora seu estado de lucidez permaneça preservado. O influenciador recebeu alta hospitalar em São Paulo e segue em regime de atendimento domiciliar.
Em vídeo publicado no Instagram, ele aparece falando em inglês e pedindo ajuda para conseguir vaga em algum estudo experimental sobre a doença neurodegenerativa com a qual foi diagnosticado.
“Oi, meu nome é Lito Sousa e tenho um apelo urgente para você. Por favor, ouça atentamente a seguinte mensagem. Este é um apelo urgente para a Ionis Pharmaceuticals, o Broad Institute, Harvard e a Mayo Clinic”, diz o influenciador.
Doença de Creutzfeldt-Jakob
A principal marca da Doença de Creutzfeldt-Jakob é a evolução ultra rápida do quadro clínico. Ela faz parte do grupo de doenças priônicas, que, de acordo com o médico neurologista Fernando Freua, formam um grupo raro e grave de condições neurológicas causadas pela alteração estrutural de proteínas presentes no cérebro.
O grupo engloba outras variantes, como a Síndrome de Gerstmann-Sträussler-Scheinker (GSS), a Insônia Fatal Familiar e o Kuru, mas a forma mais conhecida é a DCJ.
A condição é provocada por um príon, partícula de proteína anormal altamente estável e resistente a métodos de desinfecção físico-química convencionais.
Todos os seres humanos possuem a proteína priônica (codificada pelo gene PRNP) no cérebro, mas o problema surge quando essa proteína perde sua forma tridimensional correta. Isso pode ocorrer devido a razões genéticas ou fatores ainda não compreendidos pela ciência.
Geralmente, a primeira manifestação da doença é um declínio cognitivo, caracterizado por perda de memória, comprometimento da linguagem e perda da função executiva (dificuldade de planejar e executar tarefas cotidianas).
Atualmente, não existe terapia capaz de reverter ou estancar a evolução da Creutzfeldt-Jakob.
Por conta da rapidez com que a doença avança, o protocolo médico atual é orientar o encaminhamento imediato do paciente aos cuidados paliativos logo após a confirmação do diagnóstico.








