Por Narcizo Machado
Quatro prefeitos, um governador e 75 vereadores com uma pauta: a efetiva implantação do Consórcio de Transporte da Região Metropolitana. Em 2024, a população da Grande Aracaju assistiu, com expectativa, às movimentações dos gestores. Reuniões para lá e para cá, polêmica licitação, assinatura de contrato e pose para foto.
Bradaram durante as eleições que teriam resolvido tudo. Alimentaram o sonho de um transporte de qualidade, que atenderia pouco mais de 600 mil sergipanos de forma direta e, indiretamente, a todos que acessam a capital.
Só que, no meio de todo esse processo, duas prefeituras, dois gestores e 35 vereadores nada mais fizeram que teatro. Sim, interpretaram que se importavam com o sistema de transporte, mas não destinaram recursos.
Nossa Senhora do Socorro aprovou, segundo informação constante da decisão judicial do desembargador Cezário Neto, apenas R$ 1.000,00 (mil reais), quando deveria ter aprovado o montante de R$ 26 milhões.
A cidade de Barra dos Coqueiros ficaria responsável por arcar com R$ 5,6 milhões. O orçamento aprovado prevê pouco mais de R$ 60 mil. Esses valores são referentes à complementação do subsídio do transporte, que seria administrado pelo Consórcio de Transporte Metropolitano.
É um verdadeiro escândalo. Um escárnio com a população. Uma irresponsabilidade sem precedentes. Os gestores de plantão dos dois municípios, Padre Inaldo, em Socorro, e Alberto Macedo, na Barra, precisam dar explicações.
Apurando as informações: Segundo o ex-prefeito da Barra, Alberto Macedo, o projeto original teria destinado os R$ 5 milhões e 607 mil, exatamente o valor previsto no rateio. O ex-gestor nos encaminhou um documento que comprovaria a informação. Uma fonte da Câmara de Vereadores da Barra contesta o prefeito Alberto Macedo e afirma que ele teria enviado o Orçamento com apenas R$ 60 mil.
Quanto a Socorro, o presidente da Câmara de Vereadores, Betinho, pediu prazo até segunda-feira próxima para passar informações mais detalhadas. O ex-prefeito Inaldo não foi localizado. A assessoria informou que ele está em viagem.
Os atuais gestores – Samuel Carvalho, de Socorro, e Airton Martins, da Barra – usam o argumento da ausência de recursos previstos no orçamento para sustentarem a impossibilidade de arcar com o subsídio. Mas será mesmo que, diante da burocracia, esse é um fator insuperável?
Claro que não! Organização financeira e boa vontade podem levar os gestores a fazerem o chamado remanejamento de recursos. Resta saber se a realidade dos municípios permite e se eles querem empreender esse esforço. O Ministério Público de Sergipe tem que agir com rigor.
NOTAS DA SEMANA
Por que um escândalo?
A política é frequentemente vista com maus olhos pela sociedade. Parte dessa percepção negativa vem justamente de atitudes como esta, uma irresponsabilidade administrativa misturada com jogada política, que retira da população o direito à efetivação de um avanço real na qualidade do transporte.
Por que um escândalo? II
Ora, na Barra há, de cara, uma “guerra de narrativas”. O ex-prefeito apresenta uma informação, enquanto fontes da Câmara sustentam outra versão. Por que teriam modificado o valor? Quem sugeriu essa alteração? Não havia vereadores para defender a sociedade barracoqueirense?
Povo punido
Quem está sendo punido, neste caso, é o povo. E por que o povo? Porque o Consórcio é a única possibilidade que os gestores da Grande Aracaju têm de atuar de forma isonômica na resolução dos problemas, ao mesmo tempo em que compartilham a responsabilidade pelos custos.
São Cristóvão cumpriu quase tudo
O município de São Cristóvão praticamente cumpriu, em sua totalidade, a obrigação: destinou R$ 12 milhões no orçamento, quando o correto seriam quase R$ 13 milhões. Ainda assim, está em ampla vantagem diante dos números de Socorro e Barra. O ex-prefeito Marcos Santana, crítico ferrenho da forma como o Consórcio é gerido, procurou não deixar brechas.
Ônibus a GNV
O governador Fábio Mitidieri defenderá que o Consórcio Metropolitano de Transporte tenha como prioridade a compra de ônibus movidos a GNV. Para Fábio, esse gesto reforça a imagem de Sergipe no cenário nacional como o estado com a mais promissora política de desenvolvimento da exploração do gás no Brasil.
Um elétrico paga quase três a GNV
Em termos de custo, os ônibus movidos a GNV são bem mais baratos que os elétricos. Numa proporção simples, um elétrico comprado pela gestão de Emília Corrêa paga quase três a GNV, que custam hoje em torno de R$ 1,2 milhão cada. Pode ser, portanto, um caminho mais estratégico para a renovação da frota, aliando economia e respeito ao meio ambiente.
Isenção de ICMS para ônibus
O governador anunciou, em entrevista ao Jornal da Fan, que a intenção do governo é conceder incentivo, por meio do ICMS, para os ônibus movidos a GNV, e não para os elétricos, a fim de incentivar de forma direta a política de gás no estado.
Ofensiva contra Edvaldo
Na Câmara de Vereadores de Aracaju, o clima é de ofensiva contra o ex-prefeito Edvaldo Nogueira. Ele sempre foi apontado como um articulador político de pouca desenvoltura. Seu partido, o PDT, elegeu três vereadores e destes, apenas um permanece “fiel” a Edvaldo, embora nenhum deles se desgaste na defesa do ex-prefeito.
Ofensiva contra Edvaldo II
Na próxima terça-feira, Edvaldo verá duas CPIs serem instaladas contra ele, além das acusações de remanejamento irregular de recursos da Saúde, como denunciou o presidente Ricardo Vasconcelos. Serão meses tensos para o ex-prefeito. Essas investigações chegam em um momento de fragilidade política de Edvaldo, que não tem grupo e os poucos aliados que sobraram estão pouco dispostos a se desgastarem em sua defesa.
Edvaldo será convidado e convocado
O vereador Isac afirmou, com muita firmeza, que Edvaldo Nogueira será convidado a prestar esclarecimentos “pelo princípio da ampla defesa”. Segundo o parlamentar, ele não é obrigado a comparecer e terá 15 dias para fazê-lo. Caso não aceite, a Câmara avaliará se poderá ser convocado ou quais medidas jurídicas poderão ser tomadas para que ele vá ao Parlamento.
Isac quer Edvaldo inelegível
O vereador foi claro em entrevista a Magna Santana: as contas de Edvaldo referentes ao ano de 2024 poderão ser reprovadas. “Eu vou trabalhar na perspectiva de provar que ele prevaricou e que, portanto, deve se tornar inelegível”, afirmou Isac.
Respostas de Edvaldo
O ex-prefeito de Aracaju afirmou que dará uma resposta adequada sobre as supostas “pedaladas”. Segundo ele, a manifestação partirá do secretário responsável e de toda a sua equipe técnica. É aguardar…
Edvaldo se mostrou tranquilo
O ex-prefeito recebeu com tranquilidade as críticas feitas ao longo da última semana e demonstrou serenidade quanto aos possíveis desdobramentos. Ao ser confrontado com questionamentos éticos sobre sua gestão, Edvaldo continua demonstrando segurança diante das acusações.
Laércio quer majoritária
Em entrevista a Jailton Santana, o senador Laércio Oliveira deixou claro que o partido pretende ocupar uma vaga na majoritária. De forma perspicaz, Jailton perguntou quais nomes a sigla teria para essa missão. O senador tergiversou e respondeu que “não tem condições de tornar público”, restando, na ocasião, apenas a confirmação do nome do sobrinho, vereador Levi, como pré-candidato a deputado federal.
Efetivação da ‘União Progressista’
Durante a entrevista, o senador Laércio lembrou que, agora em agosto, se consolida a efetivação da Federação União Progressistas e destacou que, dentro dela, o Progressistas apresentará seus nomes. A declaração demonstra que ele não está muito preocupado com a liderança da federação, mas sim com os efeitos positivos que ela pode gerar, como a maior facilidade para eleger o sobrinho a deputado federal e ampliar a bancada na Alese.
Contradição ou ambição de Laércio
Ao afirmar que o Progressistas quer uma vaga na majoritária e, logo em seguida, lembrar que deixará de ser um partido para se tornar parte de uma federação, Laércio revela uma certa contradição. Afinal, as decisões não serão mais isoladas, e sim coletivas, com a participação do União Brasil. Ou Laércio está no velho truco do pôquer, “blefando”, ou ainda ambiciona presidir a federação.
Laércio isola André e prefere Edvaldo
Questionado por Jailton sobre o apoio à intenção de André Moura em disputar o Senado, Laércio Oliveira afirmou que, para ele, apenas o nome de Fábio Mitidieri está consolidado na chapa; quanto aos demais, jogou para o campo do diálogo: “Não fecho a porta para nenhum dos candidatos”. Contudo, foi enfático ao demonstrar simpatia e preferência por Edvaldo Nogueira. Ou seja, sinaliza apoio a um nome fora da federação, mesmo com André Moura sendo o único já confirmado por Fábio na chapa.
Laércio não considera Fábio líder
Jailton lembrou a Laércio que André já havia sido anunciado por Fábio e que o governador deixou nas entrelinhas que o segundo nome pode ser Alessandro. “É muito cedo”, respondeu Laércio. Em seguida, Jailton questionou se ele não seguiria o líder. A resposta foi direta: “Se eu vou seguir o líder? Não. Eu vou seguir o agrupamento político. Não é a um líder. Não tem líder lá por enquanto, a gente só dialoga”.
Fábio tentou apaziguar
O governador Fábio Mitidieri revelou que conversou com Alessandro Vieira, em Brasília, e com André na última quinta-feira. Afirmou não ter a intenção de “ensinar pai-nosso a vigário” e que, para ele, não importa quem começou, mas sim o fim desse confronto, que não ajuda o agrupamento.
Fábio, porém, alertou
Em um trecho da entrevista, Fábio foi questionado sobre a estratégia de André Moura de colocar em suas mãos a resolução do enfrentamento com Alessandro. O governador relembrou o diálogo que teve com ambos, mas alertou: “A gente só faz a paz, de quem não quer ter paz”. Deixou claro, portanto, que a solução está mais nas mãos dos dois do que nas dele, enquanto líder do agrupamento.
Preferência por Alessandro
Fábio deixou escapar que a prioridade, na composição da chapa para 2026, será do senador Alessandro Vieira. O governador recordou que já havia feito gestos com Edvaldo Nogueira: “Tenho cumprido todos os meus compromissos políticos com ele, tanto que votei em Luiz Roberto”. Quanto a Alessandro, afirmou: “Nesse momento, também é importante fazer um gesto com Alessandro, que tem sido corretíssimo com o estado, que tem destinado recursos, aberto portas em Brasília e se somado à nossa pauta. Acho que é um senador que precisa ser valorizado”.
É ou não uma definição de preferência?
André botou mais pressão
Após a entrevista de Fábio Mitidieri, foi a vez de André Moura no Jornal da Fan. O líder político voltou a fazer críticas a Alessandro, reiterando que sua postura é de somar e construir, mas aumentou a pressão: “Quem tem que conduzir, e decidir se vai encontrar solução ou não, é o líder maior, o governador Fábio Mitidieri”.
André botou mais pressão II
Contrapondo-se ao que disse Fábio Mitidieri, André afirmou que, para ele, importa sim a ordem de início da confusão. “O governador disse que para ele pouco importa quem iniciou, mas para mim importa. Quem iniciou essa discussão desnecessária, desagregando, dividindo e tentando diminuir, foi o senador Alessandro”.
Alessandro reitera que não vota
Questionado por Magna Santana, no grupo Café com Política, o senador Alessandro Vieira reiterou que não votará em André Moura: “Converso com qualquer pessoa, sem problemas. Já falei dezenas de vezes que a condução da montagem da chapa governista é papel do governador. O que algumas pessoas não entendem é que trabalho sempre com o máximo de transparência e objetividade: não voto em André para nenhum cargo, pelas razões que Sergipe conhece há muito tempo.”
Vai ser a chapa da divisão?
Alessandro fala em “mimimi”
Apesar da posição, Alessandro acredita que é possível a formação da chapa, mas deixa claro que está havendo muita pressão: “Isso não impede os dois de apoiarem Fábio no projeto de reeleição e muito menos inviabiliza uma convivência civilizada. No mais, vejo muito mimimi e pressão, enquanto eu sigo trabalhando”.
Primeiro apoio a Márcio Macedo
O prefeito de Muribeca, Mário de Sandra, é o primeiro líder político a declarar publicamente apoio a Márcio Macedo para o Senado. Mário defende que o petista dispute a vaga e avalia que o trabalho de Macedo como ministro merece reconhecimento. Na última sexta-feira, Mário e Márcio circularam juntos pela cidade de Muribeca durante a primeira noite do São Pedro fora de época.
Márcio quer, mas joga para 2026
O ministro Márcio Macedo foi questionado por Raimundo Moraes sobre as declarações de apoio de Mário de Sandra e se está confirmada sua entrada na disputa: “Estamos trabalhando pra isso. Se o meu partido permitir e o presidente Lula assim concordar, vou colocar meu nome à disposição”. Márcio ponderou, no entanto, que a decisão só será tomada quando o calendário eleitoral permitir.
Governador no agreste
O lançamento do CMais Feirante em Itabaiana, ocorrido nesse sábado, 9, não é apenas o pontapé de mais uma importante ação. “Ao escolher a cidade para estrear o programa, Fábio Mitidieri reforça a mensagem de que o governo está presente onde a economia pulsa e a população precisa de apoio”, disse a assessoria em nota. Na região, saúde, educação e infraestrutura já receberam ações do governo Fábio, agora foi a vez do comércio popular.
Governador no agreste II
No evento Fábio falou na assistência, mas também na qualificação: “São 60 mil famílias que recebem cartões CMais e cartão Mão Amiga. Mas nós queremos avançar, e é por isso que a gente tem ações como o Prato do Povo, e agora o CMais Feirante e do Ambulante. Mas nós também fazemos programas de qualificação, são mais de 30 mil sergipanos sendo qualificados”, afirmou o governador aos feirantes.
Abrangência estadual
A primeira-dama, Érica Mitidieri, gestora da Secretaria de Estado da Assistência, que está à frente da execução do programa CMais, reforçou o caráter inclusivo dessa modalidade, que abrangerá todo o estado. “No CMais Feirante e Ambulante são dois mil beneficiários, um investimento de quase R$ 5 milhões, para que a gente possa dar mais dignidade. Temos visto que os programas do CMais influenciam muito no combate às desigualdades. Sergipe ganhou, agora, o primeiro lugar no Brasil no combate às desigualdades. Isso mostra que os programas do governo estão dando certo e estão fazendo a diferença”, destacou.
Republicanismo
Na última sexta-feira, 8, a prefeita Emília Corrêa e o ministro Márcio Macêdo dividiram o mesmo palco na Orlinha do Bairro Industrial. A cena por si só já chama muita atenção, afinal são dois nomes de espectros políticos diferentes, unidos pela assinatura da cessão de um terreno da União para a execução do projeto “Prainha e Fibra”, do programa Periferia Viva do Novo PAC. O acordo prevê 66 novas casas, regularização fundiária de 140 residências e obras de infraestrutura, beneficiando mais de 200 famílias. Emília agradeceu ao ministro pelas obras já garantidas e pediu celeridade para outras propostas que ainda aguardam aprovação. Política à parte, o gesto foi lido nos bastidores como um recado claro: a prefeita Emília mostrou que, por política pública, ela senta à mesa com quem for preciso.
Republicanismo II
O ato no bairro Industrial, tinha DNA claro, pois era um evento de reduto da esquerda. Em alguns momentos, foi possível escutar nos discursos palavras de ordem que ecoavam mensagens como “sou contra a anistia”, “a bandeira brasileira é nossa”, “precisamos defender a democracia”, além de “quem não tem organização é gado que corre sem controle”, recados indiretos ao partido da prefeita Emília Corrêa, o PL. Nada disso alterou o tom da gestora, que cumpriu todos os protocolos institucionais com respeito e civilidade. Ao microfone, Emília fez questão de deixar claro que, para ela, o interesse coletivo vem antes de qualquer sigla partidária. O registro não passou despercebido e foi lido nos bastidores como uma aposta em diálogo e maturidade política.
Estilos diferentes
Um observador muito atento, destacou para a Domingueira que chamou atenção a presença do vereador Lúcio Flávio (PL). “Ele chegou, observou e não demorou para deixar o local.”, disse. O motivo? O ambiente dominado por lideranças e militância alinhadas à esquerda. O vereador preferiu evitar aproximações que pudessem gerar ruídos com seu eleitorado. Ou até ser confrontado. Ao contrário da postura da prefeita Emília que comprou o ato institucional, dividindo o dispositivo com o ministro Márcio e a ex-deputada Ana Lúcia, ambos lideranças do Partido dos Trabalhadores. A cena evidenciou dois estilos distintos de atuação política. Nas redes sociais de Flávio não há registros do evento.
JORNAL DA FAN – Assista de segunda a sexta-feira, das 5h30 às 9h. A transmissão é feita também pelo YouTube, Portal Fan F1.
FELIZ DIA DOS PAIS – Aos papais leitores, ouvintes e seguidores, um abraço carinhoso da Coluna Domingueira e do Jornal da Fan. E para a reflexão e homenagem, esse clássico de João Nogueira.








