O revanchismo contra artistas, o necessário debate dos cachês e uma lembrança: nem todo voto no 13 e no 22 foi ideológico

De um lado, os radicais de esquerda olham para o eleitor de Bolsonaro e disparam a crítica: “fascista de merda!” E não para por aí. Há também a adjetivação pobre e igualmente agressiva quando o debate fica mais acalorado: “o gado está mugindo”.

No outro polo, os direitistas não são menos agressivos: “por isso o nordestino continua na merda!” E disparam pejorativamente: “comunista, defensor de ladrão, tem bandido de estimação”.

Ambos os lados estão adoecidos pela polarização. Não me parece que podemos relativizar. Os dois estão errados. Não querem diálogo e pacificação parece ilusória.

Sim, o bolsonarismo, e não necessariamente a direita, é culpado pela implantação da violência política no Brasil. O radicalismo mata, na literalidade, ou mata psicologicamente ou socialmente, com os isolamentos e rachas familiares e entre amigos.

A rede social é canal de proliferação do fascismo. O que antes dependeria de leituras de livros e salas de aula mais restritas, hoje é delivery na tela do celular.

Em um estado como Sergipe, onde o gigante Lula obteve uma votação histórica, ousar pedir reflexão desapaixonada é uma ilusão? Pode ser, mas não custa tentar.

O bolsonarismo aceita o golpe de Estado como caminho para a implantação de seu projeto de poder, o 8 de janeiro é o exemplo. Mas também, na outra ponta, ainda há quem acredite na “ditadura do proletariado”, no popular, a tomada do poder pela classe trabalhadora para distribuir as riquezas. Não por outro motivo aceitam as agressões que usam para “combater o fascismo”.

Todo eleitor brasileiro relativiza a corrupção. Seja ele de direita ou de esquerda. Vale o conceito popular do “rouba, mas faz”. E, de tempos em tempos, há uma estratégia de perdão de graves erros, desde que a opção assolada em escândalos seja a única viável para derrotar o candidato mais forte do outro polo.

Nem todo eleitor do 13, ou eleitor de Lula, é petista, de esquerda, socialista ou comunista. Assim também, nem todo eleitor do 22, da família Bolsonaro, é de direita, liberal, fascista ou xenofóbico.

Para milhões de brasileiros e brasileiras, a escolha por um dos dois foi relativa, movida por diversos motivos, não necessariamente uma adesão ideológica ao que os polos possuem de erros, defeitos e qualidades.

Por este motivo, entendo que o revanchismo contra artistas virou lacração para rede social. Nem todo brasileiro do Sul e do Sudeste é desrespeitoso ou preconceituoso.

Já imaginaram o que seriam dos grandes nomes da cultura do Nordeste, que ganharam o Brasil, se não fossem as emissoras de rádio, TV e tantos outros veículos e meios de comunicação que ficam no Sudeste?

O Nordeste é terra de acolhimento. Não adianta se orgulhar de evitar a vitória da família Bolsonaro e aderir às teses e práticas do bolsonarismo.

Contra a dupla Jorge & Mateus, por exemplo, não se encontra uma só publicação com tom preconceituoso. O simples fato de aderirem a Flávio Bolsonaro não faz deles adeptos de todas as ideias do bolsonarismo.

Debater o valor dos altos cachês, isso sim, é urgente. Isso sim, é importante. Mais essencial que o revanchismo lacrador contra artistas que votaram em Flávio Bolsonaro.

Outro ponto importante é que, na medida em que apontamos que os altos cachês precisam ser debatidos entre os governantes dos estados do Nordeste, estamos admitindo que aqui existem outras prioridades, como valorizar os artistas locais, a Educação e a Saúde.

Fazer crítica política à condição social ainda desigual da região não é crime de xenofobia. Não vivemos numa região plena de igualdade social. É crítica válida e essencial, desde que tenha base em teses sociais e econômicas. Ou vivemos numa ditadura?

Gastar energia com o que importa é mais enobrecedor para o debate público. Viva a pluralidade de ideologias, culturas e vidas!

NOTAS DA SEMANA

Crise hídrica em Sergipe I
A crise hídrica em Sergipe representa um dos maiores desafios da gestão de Fábio Mitidieri. Mais do que enfrentar os efeitos da estiagem, o governo precisará demonstrar capacidade de resposta, planejamento e articulação para minimizar os impactos sobre a população.

Crise hidirca em Sergipe II
A dimensão da crise exige integração entre os órgãos públicos e as instituições responsáveis pelo abastecimento, meio ambiente, defesa civil e saúde. Deso, Iguá, secretarias estaduais e Corpo de Bombeiros precisam atuar de forma coordenada. A população não pode ficar no meio de uma disputa de responsabilidades.

Crise hídrica em Sergipe III
A falta de água ultrapassa o problema do abastecimento doméstico. Escolas, unidades de saúde, atividades econômicas e famílias inteiras podem ser afetadas. É uma questão que exige atenção permanente e respostas que considerem as diferentes realidades dos municípios sergipanos.

Crise hídrica em Sergipe IV
As condições climáticas podem agravar a crise hídrica, mas não retiram do poder público a responsabilidade de planejar e agir. O enfrentamento exige medidas emergenciais, mas também a revisão de processos e a preparação para períodos de maior escassez. Em momentos de dificuldade, a população espera mais do que pronunciamentos. Espera comando, integração e soluções. A crise hídrica será um teste para a capacidade de liderança de Fábio Mitidieri, e poderá influenciar a avaliação de sua gestão.

Fábio está agindo
O governador de certa forma já está neste caminho. Ontem ele reuniu auxiliares e visitou a barragem do Poxim e anunciou reunião com prefeitos: “Nesta segunda-feira, dia 9, vou reunir os prefeitos de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão para apresentar a situação hídrica da Região Metropolitana, agravada pelos efeitos do El Niño, e definir conjuntamente as medidas necessárias dentro do nosso plano de contingência”, escreveu ele na rede social.

Fábio prega unidade de ação
“É um momento que exige decisões responsáveis, diálogo e compromisso coletivo. Conto com a parceria dos municípios e de todos os órgãos envolvidos para minimizar os impactos da estiagem, garantir a continuidade dos serviços essenciais e cuidar da nossa população”, completou o governador na rede social.

Coletiva de imprensa
Após a reunião que será realizada no Palácio dos Despachos, o governador está convocando a imprensa para uma coletiva, onde apresentará o resultado do encontro e anunciará as medidas que serão tomadas. Fontes do governo falam em possibilidade de revezamento de abastecimento, o que pode afetar alguns serviços públicos.

Esforços de Emília
Para ajustar seu agrupamento político, a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa está sozinha. O prefeito de Itabaiana, Zequinha da Cenoura, já resolveu a vida de Valmir de Francisquinho. Ele agora é secretário-geral e comanda a máquina pública da cidade. Por lá não se tem a expectativa de que algum outro membro do agrupamento seja agraciado com espaços.

Bruno Moraes na CPI
O ex-presidente da Emsurb, Bruno Moraes será ouvido na CPI dos Espaços Públicos, amanhã, segunda-feira, 9, às 10 horas na sede da Câmara de Aracaju. Bruno Moraes vai explicar como se dava o processo de liberação de espaços públicos na sua gestão e na gestão do prefeito Edvaldo Nogueira.

Bruno Moraes na CPI II
Um fato que poderá acontecer é o ex-presidente ser incitado a se posicionar sobre a concessão do Maggs, lanchonete que passou a ser alvo de críticas pelo envolvimento do ex-presidente da Emsurb, Hugo Esoj. Nas entrevistas concedidas, Hugo cita Bruno, com quem teria tido um diálogo para tratar da decisão de final de gestão de dar a concessão à comerciante que estava operando o ponto comercial.

Resultado da CPI
O principal resultado da CPI será a sugestão de uma legislação que determine a forma como as concessões públicas serão feitas. O relatório final do vereador Elber Batalha deverá trazer um esboço de como seria a legislação consequentemente as novas regras.

Meirelles vai apontar Hugo
O vereador Fábio Meirelles (PDT) entende que, pelos depoimentos até aqui colhidos, está clara a atuação direcionada do ex-presidente da Emsurb Hugo Esoj, e comprovado também o uso do espaço público para aluguel. Meirelles vai pedir a responsabilização e indicação para que o Ministério Público de Sergipe busque abrir processos contra Hugo Esoj.

Calendário da CPI
Esse é o calendário da CPI para esta semana:
Dia 9/11 (segunda) às 9h — Bruno Moraes;
Dia 10/11 (terça-feira) às 14h — Hugo Esoj e João Mota;
Dia 11/11 (quarta-feira) às 14h — Edna Rodrigues e Edilaine Barbosa.

Quem são esses personagens?
Bruno Moraes e Hugo Esoj todos sabem, são ex-presidentes da Emsurb. João Mota é o permissionário da famosa sorveteria Chiquinho na Orla de Atalaia. Edna Rodrigues é a permissionária da lanchonete Maggs e Edilaine Barbosa foi secretária de Hugo Esoj e sua participação será sobre a liberação de um ponto comercial para um parente dela em frente UPA Fernando Franco no Augusto Franco.

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