O que poderia ser uma disputa tradicional, normal, corriqueira de uma eleição virou um verdadeiro escândalo em Sergipe. Toda eleição sempre teve disputa de pesquisas, com prejudicados e beneficiados. Já tivemos até cassação por exageros cometidos com pesquisas. Mas nada comparado ao que se tem visto desde 2024, com uma repetição já exagerada neste pleito de 2026 em Sergipe.
Só neste mês de agosto, três institutos diferentes apresentam três cenários diferentes de uma mesma disputa, com os mesmos personagens e em períodos muito próximos de coleta.
Nesta edição, vamos nos ater aos dois candidatos que, até aqui, polarizam a disputa, para podermos analisar essa realidade de números tão díspares.
O Instituto França realizou a pesquisa entre os dias 10 e 12 de agosto. O levantamento ouviu 2.400 eleitores, tem margem de erro de 2 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. Segundo esse levantamento, Fábio Mitidieri aparece à frente de Valmir de Francisquinho no cenário estimulado, com 38,94% contra 28,76%. Na espontânea, Fábio também lidera: 20,49% contra 15,25% de Valmir. A pesquisa está registrada no TSE sob o número SE-04226/2026.
Um dia depois de encerrado o trabalho de campo do França, outro instituto entrou em campo. O INOR, Instituto de Pesquisa do Nordeste, realizou seu levantamento entre os dias 13 e 16 de agosto, com 1.070 entrevistas. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%, e a pesquisa está registrada no TSE sob o nº 04930/2026.
Segundo o INOR, a realidade é completamente diferente. Valmir de Francisquinho lidera com 46,73% no cenário estimulado, enquanto Fábio Mitidieri aparece com 31,59%. Na espontânea, Valmir tem 39,63%, contra 25,23% de Fábio.
Parece até que, numa combinação, o Instituto CTAS iniciou sua pesquisa logo na sequência, entre os dias 17 e 21 de agosto. Foram 1.283 entrevistas, margem de erro de 2,7 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob o número SE-08432/2026.
Na mesma direção do França, mas com uma diferença ainda maior, o CTAS aponta vantagem para Fábio Mitidieri. No cenário estimulado, o governador aparece com 44,43%, contra 25,49% de Valmir. Quando considerados apenas os votos válidos, a diferença aumenta: Fábio chega a 58,75%, enquanto Valmir fica com 33,71%, resultado que indicaria vitória no primeiro turno.
São três Sergipes diferentes dentro de um só estado?
Como explicar tamanha diferença entre os números de levantamentos realizados em sequência, no mesmo mês, com os mesmos principais personagens e sem um fato extraordinário capaz de justificar, em princípio, uma movimentação tão brusca do eleitorado?
É importante dizer: pesquisas diferentes podem apresentar resultados diferentes. Metodologia, questionário, amostra, distribuição territorial, período da coleta e até a forma como o eleitor é abordado podem produzir diferenças. Margem de erro também precisa ser considerada.
Mas aqui não estamos falando apenas de diferenças de dois ou três pontos percentuais. Estamos falando de levantamentos que colocam Fábio Mitidieri dez pontos à frente de Valmir, depois Valmir quinze pontos à frente de Fábio e, na sequência, Fábio quase dezenove pontos à frente de Valmir.
É uma distância grande demais para ser tratada apenas como uma simples oscilação.
Em 2024, tivemos situação que também alimentou a discussão sobre pesquisas em Aracaju. Yandra Moura apareceu em levantamentos que a colocavam na disputa pelo segundo turno, mas terminou o primeiro turno em terceiro lugar.
A Justiça Eleitoral não pode ficar limitada a agir apenas quando uma das campanhas apresenta uma contestação jurídica. Talvez seja hora de discutir instrumentos que permitam uma fiscalização mais rigorosa e preventiva da qualidade metodológica das pesquisas eleitorais. O eleitor não pode ser tratado como cobaia de uma guerra de números.
Quem estará com a verdade? A resposta definitiva, como sempre, estará nas urnas. E as pesquisas mais precisas estarão divulgadas na última semana da eleição.
Notas da semana
A aposta de Katarina
Katarina Feitosa permanecerá com a segurança pública, como tema principal de sua campanha. Em uma eleição para deputado federal com muitos candidatos competitivos, e na chapa competitiva que ela está, encontrar um território próprio pode fazer toda diferença. Coisa que Anderson de Zé das Canas não tem. Katarina foge da disputa genérica e mostra ao eleitor sua atuação.
Rogério tem um trunfo
A disputa pelo Senado começa a apertar e Rogério Carvalho sabe que não terá vida fácil. A experiência de senador e sua longa trajetória política são ativos importantes, mas não garantem, sozinhos, uma das duas vagas. Rogério precisa transformar mandato em voto e tem um trunfo que nenhum outro tem, a militância do PT. Rogério já começou a fazer atuação para estimular a militância e o voto lulista.
Thiago e o desafio de Emília
Thiago de Joaldo entra em uma eleição na qual precisará mostrar-se estrategicamente importante para Emília. A Câmara lhe deu visibilidade, recursos e espaço político. Ele foi muito fiel a Emília. Emília foi convencida a apresentar uma aposta nova para a disputa. Até aqui esta aposta não tende a superar Thiago em votos, então, Emília estará entre a aposta de risco ou centrar fogo para ter um deputado federal para chamar de seu.
Marcelo vai ao campo
Marcelo Sobral encontrou no setor produtivo um dos caminhos para fortalecer sua candidatura à reeleição. A presença na Exporanga, em Itaporanga d’Ajuda, não é apenas uma agenda protocolar. O município é território político importante para a família Sobral e o setor agropecuário representa uma rede de relações que pode render votos. Marcelo sabe que a eleição para a Assembleia será decidida pela soma de pequenos e grandes redutos. E, nesse jogo, o voto setorizado conta muito.
Eduardo apresenta suas armas
Eduardo Amorim começou a campanha mostrando que pretende disputar o Senado com discurso e proposta. A defesa da criação de um Hospital de Ortopedia dá ao candidato uma bandeira concreta e conversa diretamente com uma das áreas de sua trajetória. A pesquisa divulgada nesta semana também colocou Eduardo em posição de viabilidade. O desafio agora é sustentar a competitividade até outubro.
Rodrigo escolheu o confronto
Rodrigo Valadares parece ter decidido que sua campanha ao Senado não será morna. No debate, atacou o Senado atual, defendeu o impeachment de Alexandre de Moraes e reafirmou seu alinhamento com o bolsonarismo. Depois, no comitê do PL, elevou ainda mais o tom ao falar de Lula e Lulinha. Rodrigo está construindo uma candidatura de identidade muito clara. A pergunta é se o discurso de confronto será suficiente para transformá-lo em uma das duas opções da direita para o Senado.
Jorginho jogou bem
Jorginho Araújo ampliou sua presença e diálogo com o eleitor da cultura popular. O apoio de Danielzinho Kaceteiro e a aproximação com a vaqueirama mostram uma estratégia que vai além do eleitorado comum. Jorginho pretende transformar esse apoio obviamente em voto e construir uma votação espalhada por diferentes regiões do estado. Na eleição proporcional, ter presença em muitos setores pode ser mais importante do que ser muito forte em poucos. E ele parece ter entendido essa percepção.
Fernandinho acelerou
Fernandinho Franco chega à disputa com nome conhecido e uma trajetória política que inclui passagem pela Prefeitura de Muribeca. Mas sabendo que eleição estadual é outro campeonato, ele acelerou e tem até aqui o maior volume de apoios de um candidato de fora da Assembleia Legislativa. Ele precisará mostrar que consegue transformar sua experiência e seus apoios em uma votação competitiva fora do seu principal reduto. Em uma nominata como a do PL, não haverá espaço para campanha morna. Fernandinho percebeu e acelerou.
Alessandro sobe o tom
Alessandro Vieira começou oficialmente sua campanha à reeleição deixando claro que também não pretende fazer uma eleição morna. Ao dizer que “Sergipe não vota em bandido”, sem citar nomes, o senador resgatou justamente a bandeira que marcou sua trajetória política. Com a disputa pelo Senado cada vez mais apertada, ele parece ter escolhido uma estratégia clara: fazer campanha contra os velhos vícios da política e ativando o que muitos de seus adversários tem, um passado de dúvidas no quesito corrupção.
Fábio lidera
Em conversa com um estatístico, proprietário de um instituto que evitou entrar na guerra de publicações, ele revelou que na sua percepção e experiência Fábio neste momento lidera as pesquisas com vantagem entre cinco e sete pontos percentuais. Ele entende que a instabilidade jurídica de Valmir sangra o candidato da posição é uma disputa mais acirrada, só se Valmir passar pelo deferimento de sua candidatura.
Delegada Katarina solicita reunião
A deputada federal Delegada Katarina solicitou uma reunião com o presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, deputado estadual Jefferson Andrade, para tratar do plebiscito que deverá definir a questão territorial da Zona de Expansão envolvendo Aracaju e São Cristóvão. A reunião está marcada para a manhã desta segunda-feira, 24.
Kataria e o plebiscito
A reunião ocorre após a deputada manifestar, na última semana, preocupação com o andamento do imbróglio. Por meio das redes sociais, Katarina se posicionou sobre o acordo firmado entre as prefeituras de Aracaju e São Cristóvão, que estabeleceu a divisão da Zona de Expansão, e defendeu que a população seja ouvida no processo.
Kataria e o plebiscito
A reunião ocorre após a deputada manifestar, na última semana, preocupação com o andamento do imbróglio. Por meio das redes sociais, Katarina se posicionou sobre o acordo firmado entre as prefeituras de Aracaju e São Cristóvão, que estabeleceu a divisão da Zona de Expansão, e defendeu que a população seja ouvida no processo.
Fábio dá recado em Lagarto
Quem esperava encontrar ruídos na relação entre o governador Fábio Mitidieri e o prefeito de Lagarto, Sérgio Reis, recebeu um recado claro neste sábado, 23. A passagem do governador pelo município mostrou que criar conflito em Lagarto não está nos planos de Fábio. O governador inclusive, acabou não comparecendo no comitê de Hilda Ribeiro, que também estava previsto em sua agenda.
“Governador ao lado”
Nos últimos dias, André Moura tentou tensionar a relação do governador com o prefeito, com declarações provocativas sobre a gestão municipal e chegando a afirmar que Fábio precisaria “abrir os olhos” em relação a Sérgio. A resposta do governador veio no próprio discurso: “Quem tem um prefeito como esse, trabalhador, que está tendo uma gestão com desafios, sabe que, qualquer desafio que encontrar, terá seu governador ao lado”, afirmou Fábio Mitidieri ao falar de Sérgio Reis.
Lagarto no projeto do PSD
A lógica também passa pela importância estratégica de Lagarto. O município é o maior administrado pelo PSD em Sergipe, principal cidade do Centro-Sul e tem hoje na Prefeitura Sérgio Reis e na Câmara Federal Fábio Reis, duas importantes lideranças do partido. Politicamente, não faria sentido para Fábio colocar em risco uma aliança em uma das cidades mais importantes do estado. O ato deste sábado deixou a fotografia ainda mais nítida: Fábio Mitidieri segue ao lado de Sérgio Reis.
Hilda com fraca adesão?
De Lagarto surge a informação de um aliado de Hilda Ribeiro, de que o staff da campanha estaria preocupado com a baixa adesão. A informação é de que a ex-prefeita está com dificuldades políticas na campanha e que ela não chegue no seu principal colégio ao número de votos almejado. O que pode complicar sua eleição numa chapa tão competitiva como a que ela faz parte.
Valmir e o Banese
Valmir de Francisquinho postou esta semana um vídeo ao lado da prefeita Emília Corrêa onde apresenta uma proposta de dar ao Banese “uma outra força para a população”. Emília cita possível linha de crédito para proprietários de veículos do transporte complementar. Valmir amplia e cita motoristas de Uber e taxistas. Enfim, uma proposta concreta e que tem apelo popular.
Povo e discurso popular
A campanha de Valmir aposta forte em imagens dele no meio do povo e discurso popular e emotivo. A estratégia tem tido adesão dos seguidores nas redes sociais. Em um vídeo recente, Valmir defende que só faz governo pensando no povo, quem já sentiu na vida as dores que a maioria do povo sente, como a pobreza. Reforça seu perfil e engaja bem.
Prazo das alegações
Acaba amanhã, segunda-feira, 24, o prazo para as alegações finais dos advogados no processo que pede a impugnação de Valmir de Francisquinho. Defesa e acusação devem se pronunciar na sequência o Ministério Público Eleitoral deve apreeentar sua posição e o processo seguirá para o voto da relatora.
Até final do mês
A precisão dos advogados é que até o fim deste mês de agosto o processo esteja julgado pela desembargadora Ana Bernadete e na sequência os devidos recursos, seja qual for a decisão, seguirão para o pleno do Tribunal Regional Eleitoral, jogando uma decisão final até o prazo final.







