Flávio Bolsonaro é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção pelo filme Dark Horse

Foto: Reprodução

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado por suspeita de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção, segundo revela o inquérito da Polícia Federal que teve o sigilo retirado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça. A apuração mira os repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e também alcança sócios do fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas.

O inquérito foi aberto após manifestação favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República), que identificou elementos suficientes para a apuração formal. Segundo a PF (Polícia Federal), o senador negociou diretamente com Vorcaro um total de US$ 24 milhões, o equivalente a cerca de R$ 134 milhões, para bancar a produção do longa. Documentos indicam que ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, chegaram a ser destinados ao projeto.

Para configurar o crime de corrupção passiva, previsto no artigo 317 do Código Penal, os investigadores não precisam comprovar um ato de ofício específico como contrapartida direta: basta que a vantagem tenha sido solicitada ou recebida em razão da função pública exercida por Flávio. É com base nessa hipótese que a PF busca esclarecer a origem dos recursos, a forma como o dinheiro circulou e seu destino final.

A apuração também investiga se parte dos valores repassados por Vorcaro teve outro destino além da produção do filme. Nos documentos enviados ao STF, a PF cita ainda o publicitário Thiago Miranda, sob suspeita de coordenar ataques ao Banco Central a mando do banqueiro, e sócios brasileiros da Entre Investimentos e Participações, empresa que teria intermediado o repasse de recursos do Master ao fundo americano Havengate Development Fund LP, sediado no Texas.

Flávio Bolsonaro trata o episódio como um patrocínio privado e nega qualquer irregularidade. O senador afirma que buscou financiamento para um filme sobre o próprio pai e que não houve transferência de valores para si nem uso de dinheiro público ou da Lei Rouanet no projeto. Durante sabatina, ele se recusou a apresentar o contrato firmado com o Banco Master ou planilhas detalhadas dos gastos, alegando tratar-se de um acordo entre partes privadas.

A investigação sobre o financiamento do filme é distinta de outra frente aberta no STF, sob relatoria do ministro Flávio Dino, que apura se houve direcionamento de emendas parlamentares para empresas ligadas à produtora Go Up Entertainment, de Karina Gama. As duas apurações integram o conjunto de investigações sobre as fraudes financeiras que levaram à prisão de Daniel Vorcaro.

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