Em entrevista concedida à reportagem do Jornal da Fan nessa quinta-feira, 3, o candidato à Presidência da República pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Hertz Dias, apresentou as principais diretrizes do programa do partido para o cenário econômico e político nacional. O candidato criticou a polarização promovida entre as candidaturas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), afirmando que nenhum dos blocos hegemônicos propõe uma discussão sobre a situação estrutural do país.
Segundo Hertz, o Brasil atravessa um processo de desindustrialização e perda de peso no mercado internacional, convertendo-se em um exportador de matéria-prima.
“O Brasil hoje é um país que está se reprimarizando, o Brasil está se especializando em produção de matéria-prima. O Brasil está se recolonizando. É produção de commodities, é produção de soja, é produção de cana, é produção de café para exportação, enquanto isso a indústria entra em decadência”, avaliou o candidato do PSTU.
Para reverter esse quadro, Hertz propõe a reestatização e a estatização de setores estratégicos para o desenvolvimento socioeconômico, como mineração, energia, siderurgia, agronegócio e o setor petrolífero.
“A Petrobras, por exemplo, em 2023, só de dividendos foram quase R$ 100 bilhões. Quando a gente está falando de dividendo, significa que é todo esse capital excedente que a empresa abocanha a partir do trabalho dos trabalhadores, não reinveste aqui, envia isso aí para o exterior, compra empresas públicas ou compra título da dívida pública. Nós queremos estatizar essas empresas, pegar esse excedente e investir no processo de modernização do parque industrial brasileiro”, defendeu.
Questionado sobre a redução da jornada de trabalho e o debate em torno do fim da escala 6×1, o postulante à presidência rebateu os argumentos do setor empresarial sobre possíveis impactos negativos na economia, comparando os discursos atuais aos utilizados historicamente contra a abolição da escravidão, a promulgação da CLT e a Constituição de 1988.
“Quando você reduz a jornada de trabalho, automaticamente você vai incorporar milhões de trabalhadores ao mercado formal de trabalho. Isso significa que vai aumentar a demanda por consumo. Aumentando a demanda por consumo, aumenta a demanda por produção”, declarou o candidato, que propõe avançar gradativamente para uma jornada 4×3 e a implementação de uma escala móvel de trabalho.
Em relação a sustentabilidade financeira para pequenos e médios empresários, Hertz afirmou que a adequação deve ser custeada pelo fim das isenções fiscais concedidas aos grandes grupos e pela taxação das famílias de maior renda do país.
“No governo nosso, vai acabar a isenção de impostos para os bilionários, para os grandes empresários e também a fraude fiscal. Quem tem que bancar o pequeno e o médio empresário? Esse sim, não tem condições de se adaptar. São os grandes empresários, nós vamos taxar os bilionários desse país, que são 250 famílias que caberiam perfeitamente num condomínio de luxo e que não pagam impostos nesse país”, pontuou.
Ao tratar das denúncias e controvérsias envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o sistema financeiro, como os desdobramentos ligados ao caso do Banco Master, o candidato apontou a existência de uma crise institucional generalizada que atinge os três poderes.
“A decadência é estrutural, mas ela se expressa nas instituições. Um banco de porte pequeno ou médio colocou de joelhos praticamente todas as instituições da República Brasileira, tem envolvido o Executivo, quase todos os partidos, o Legislativo e o Judiciário”, analisou.
Para o candidato, o contexto reforça a tese do partido de que a classe trabalhadora precisa construir suas próprias formas de organização e governança para exercer o controle direto das instituições públicas.








