O governo federal divulgou nesta terça-feira, 2, uma nota em que manifesta “indignação” diante da recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para a aplicação de tarifas de 25% sobre todas as importações brasileiras.
A proposta foi apresentada pelo órgão norte-americano na segunda-feira, 1º, e integra uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei do Comércio de 1974. Segundo o documento, práticas adotadas pelo Brasil em áreas como o sistema de pagamentos Pix, acordos comerciais, etanol e questões ambientais justificariam a abertura de medidas comerciais contra o país.
Na nota, o governo brasileiro atribui a investigação à atuação da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) junto ao governo dos Estados Unidos. Segundo o comunicado, a iniciativa teria sido estimulada por ações políticas realizadas em Washington.
“Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país”, afirma o governo.
O comunicado também sustenta que as tarifas possuem motivação política e podem gerar impactos econômicos para o Brasil.
“O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda”, diz outro trecho da nota.
O governo argumenta ainda que os Estados Unidos acumulam superávit comercial na relação com o Brasil e destaca que a maior parte dos produtos norte-americanos entra no mercado brasileiro com baixa tributação ou isenção de impostos.
Apesar da recomendação do USTR, o Palácio do Planalto informou que negociações entre os dois países continuam em andamento e afirmou esperar que a medida não seja efetivamente implementada.
O governo também declarou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, caso as tarifas sejam confirmadas.
As negociações entre Brasil e Estados Unidos devem seguir até a conclusão da investigação comercial, prevista para 15 de julho.
*Com informações da CNN Brasil








