A Diretoria Colegiada da Anvisa decidiu nesta sexta-feira, 15, manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de linhas de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca Ypê. A medida vale para todos os lotes de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com numeração final 1.
Apesar de manter a proibição, a diretoria suspendeu a obrigatoriedade de recolhimento imediato dos lotes já distribuídos.
Segundo os diretores, a empresa deverá apresentar um plano de ação baseado em análise de risco para definir o recolhimento dos produtos, permitindo acompanhamento técnico e eventual liberação gradual lote a lote.
Nos votos apresentados durante a reunião, os diretores afirmaram que as medidas adotadas pela fabricante foram consideradas “insuficientes”. Eles também citaram um “histórico recorrente de contaminação microbiológica” e defenderam que os riscos sanitários identificados pela fiscalização ainda não foram totalmente superados.
A decisão foi tomada após uma avaliação técnica de risco sanitário conduzida pela Anvisa em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. A análise ocorreu depois de uma inspeção realizada com apoio do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo, cidade do interior paulista onde está localizada a unidade da Química Amparo, fabricante da marca Ypê.
Durante a fiscalização, a Anvisa apontou descumprimentos considerados relevantes em etapas críticas do processo produtivo. Entre os problemas identificados estão falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.
O relatório técnico também apontou sinais de corrosão em equipamentos utilizados na fabricação de detergentes e lava-roupas líquidos, além de problemas no estado de conservação do tanque de manipulação de produtos para lavar louças. Os fiscais ainda registraram a presença de restos de produtos armazenados e devolvidos às linhas de envase.
Segundo a agência reguladora, a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca. O microrganismo havia sido detectado pela própria fabricante em lotes de lava-roupas ainda em novembro de 2025. A bactéria é comum no ambiente e pode ser encontrada em água, solo e superfícies úmidas.
Em nota, a fabricante afirmou que a inspeção da Anvisa “não encontrou contaminação” nos produtos analisados.
A Diretoria Colegiada da Anvisa é a instância máxima de decisão da agência reguladora e responsável por deliberar sobre temas como registro de medicamentos, vacinas e normas sanitárias em reuniões oficiais do órgão.
*Com informações do G1








