Em entrevista concedida ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, na manhã desta quarta-feira, 22, a juíza Juliana Martins, coordenadora da Mulher do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), e a ativista Karina Drummond discutiram a violência contra a mulher, problema que representa uma parcela significativa dos crimes registrados no Brasil. Na ocasião, entre as vertentes abordadas, foi destacada a necessidade de os homens se engajarem e adotarem uma postura ativa no enfrentamento à violência.
Juliana Martins reforçou que muitas das agressões partem de um machismo estrutural, ou seja, enraizado na sociedade e reproduzido culturalmente ao longo das gerações. Para combater esse cenário, uma das frentes de atuação tem sido a conscientização de adolescentes e a busca por maior engajamento por parte dos homens. “A gente está vendo que o índice de misoginia aumentou muito nos adolescentes. Por isso, essa é a nossa terceira frente de trabalho, que é ir nas escolas e trabalhar a educação com os adolescentes nesse relacionamento, tentando buscar relacionamentos saudáveis para eles”, explicou.
E acrescenta: “Quando a gente chama os homens para essa batalha é: nós, sozinhas, não estamos conseguindo dar conta. Então o que a gente quer que o homem faça? “Poxa, está vendo que ele está cometendo uma microviolência, chamando a mulher de um nome feio? Praticando… seu amigo, vendo ele maltratar aquela mulher?”, dizer: “Pô, velho, isso não está legal. Não é assim que a gente trata uma mulher”. Então é chamar eles para a luta, porque a gente só como mulher não está conseguindo […] Então hoje a nossa luta, nessa luta feminista no sentido de direitos iguais, né, é justamente que os homens se encampem nessa batalha para mostrar que existem relacionamentos saudáveis, de parceria, e não de violência e submissão.”, explica.
Karina Drummond, que foi vítima de violência por seu ex-companheiro, compartilhou, durante a entrevista, parte de sua experiência enquanto vítima e ativista no combate às agressões. Na ocasião, ela relatou que, por meio de sinais e da análise de comportamentos (gráfico) percebeu que já estava em situação de risco.
Karina contou ainda que tentou buscar ajuda de outros homens, especialmente da família do ex-companheiro, mas não obteve o apoio necessário. “Como bem diz a doutora, e ela foi muito feliz quando ela fala que a gente tem que chamar o feito à ordem, no caso também dos homens, eu fui pedir ajuda aos familiares e familiares dele. Mas infelizmente, a gente como mulher a gente também se depara com duas situações: que é até o cuidado de tratar a pauta religiosa e o assunto. Porque me foi respondido de que: “Ah, se isso está acontecendo, é porque vai ver que ele está sendo incorporado”‘, explicou.
Ela afirmou que sofreu diferentes formas de violência ao longo do relacionamento. “Eu estou aqui viva, Narciso, pela justiça, pelo judiciário, pelos amigos e porque tive coragem. São 20 anos de militância, o qual eu nunca acreditei que eu pudesse passar por aquilo”, finaliza.








