O ex-governador de Sergipe, Belivaldo Chagas, afirmou que não participou de qualquer articulação prévia envolvendo acordos políticos dentro do agrupamento governista nas eleições de 2022. A declaração foi feita durante entrevista ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, nesta quarta-feira, 8, em meio à repercussão da filiação de sua filha, Priscila Felizola, ao Republicanos e sua aproximação com a oposição.
Ao comentar o cenário, Belivaldo relatou uma conversa que teve com o governador, ainda em fevereiro de 2024, sobre a possibilidade de candidatura da filha. Segundo ele, houve uma decisão familiar contrária à disputa eleitoral.
“Em relação a Priscila, eu lembro-me que em fevereiro de 2024, numa conversa com o governador, eu fiz questão de dizer a ele que Priscila não seria candidata a deputada federal. Ele insistiu para que ela fosse candidata pelo PSB e parará pororô. E eu simplesmente disse: ‘Olha, nós tivemos uma conversa da família e eu tô lhe comunicando que ela não vai ser candidata deputada federal de jeito nenhum’.”
O ex-governador também relatou que, posteriormente, a própria Priscila passou a ser questionada sobre a possibilidade de compor como vice em uma chapa governista, e que, segundo ele, a orientação recebida foi para “seguir o jogo”. “Até onde eu sei, Priscila sempre disse, por diversas vezes conversando com ele, sempre o questionou: ‘Governador, eu tô sendo provocada sobre essa questão de candidata à vice?’. Como devo proceder? A resposta dele é: ‘Jogue seu jogo, tá tudo bem, toca a bar para frente’.”
Belivaldo avaliou que a condução dessas conversas acabou gerando espaço para especulações e, consequentemente, abriu caminho para a aproximação da oposição. “O fato de alimentar acabou servindo para chamar a atenção da oposição. De achar que ela, enquanto mulher, enquanto gestora, é um bom nome para participar do processo político eleitoral e acabou sendo convidada (…) e ela entendeu que deveria participar.”
Segundo ele, a decisão final de Priscila foi construída em diálogo familiar. “Ela disse: ‘Meu pai, eu quero participar do processo. Se não tem espaço mais no governo, a oposição tá conversando comigo’. E aí eu disse: ‘Você que decide’. ‘Não, vamos seguir esse caminho’. Digo: ‘Bora, vamos seguir esse caminho’.”
Críticas à falta de transparência
Ao comentar a escolha de nomes para composição de chapa, incluindo a indicação de Ulices Andrade como possível vice, Belivaldo afirmou que não teve conhecimento prévio de qualquer acordo e criticou a falta de diálogo interno. “O que posso lhe garantir é que eu nunca soube desse acordo. Se existia, poderia ter sido tratado de forma aberta, transparente. Aquilo que é combinado não é prejuízo para ninguém.”
Ele reforçou que a ausência de clareza nas tratativas políticas acabou gerando desgastes desnecessários. “Se havia um acordo, era só ter chamado e dito com clareza: ‘esse espaço já está ocupado’. Isso evitaria especulações. Não tenho raivinha de ninguém por causa disso, não. É uma decisão política, é um direito que me assiste. Cada um diz o que quer, cada um faz o que quer.”
Em outro trecho, o ex-governador também exemplificou como a situação poderia ter sido conduzida de forma mais direta: “Se ele tinha esse acordo, podia ter chamado: ‘vamos combinar aqui o jogo’. (…) ‘Olha, eu tenho um acordo e você desconverse’. Pronto, para não estar alimentando.”
Sem ressentimentos
Apesar das críticas, Belivaldo afirmou não guardar ressentimentos e destacou que decisões políticas fazem parte do ambiente democrático. “Agora, como da minha parte, não tem raivinha de ninguém por causa disso não. É uma decisão política, eu tenho direito que nos assiste, pronto.”
Ele também ressaltou o apoio à decisão da filha de ingressar no processo político. “Há momentos na vida em que os filhos acompanham a gente a vida toda. E eu entendi que agora é o momento de acompanhá-la.”








