O ativista autista Emmanuel Moraes, de 14 anos, foi o convidado do Jornal da Fan, da Fan FM, nesta segunda-feira, 6. A entrevista faz parte da série especial do mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e trouxe um relato marcado por superação, militância e identificação.
Escritor, palestrante, influenciador e embaixador do Instituto Girassol, o jovem compartilhou sua experiência recente como palestrante na Expotea, em São Paulo, evento reconhecido pelo Guinness Book como o maior sobre autismo no mundo. Para ele, representar Sergipe em um cenário internacional é uma forma de mostrar que o potencial do autista não conhece fronteiras. “Não é porque a pessoa é diferente que quer dizer que ela não tem potencial. O autismo é uma condição, mostra como as pessoas podem ser incríveis”, afirmou.
Emmanuel enfatizou que seu desenvolvimento é fruto direto de uma intervenção precoce. Ele explicou que iniciou as terapias antes mesmo do diagnóstico ser fechado, fator crucial para sua evolução cognitiva. “A intervenção precoce é extremamente importante, pois o cérebro ainda está em formação e é mais fácil moldar como a criança será no futuro. Por isso, é bom diagnosticar o mais rápido possível”, pontuou o adolescente.
Apesar do sucesso em sua trajetória, o jovem não hesitou em apontar as falhas do sistema educacional. Atualmente no 9º ano, ele relatou que enfrenta dificuldades pela falta de materiais adaptados nas escolas e, por vezes, pela ausência de preparo de profissionais. “Infelizmente, ainda é algo que precisa avançar muito. Muitos professores não querem ensinar da forma adequada”, lamentou.
Sobre o mês de conscientização, Emmanuel deixou um alerta: a inclusão deve ser um compromisso anual. “As pessoas precisam compreender que não têm que respeitar os autistas apenas em abril. Todo dia é dia de autista”, defendeu. Ele também criticou o uso político da causa em anos eleitorais, pedindo que as promessas de apoio se transformem em ações concretas após o período de votação.
A mãe de Emmanuel, Maria Conceição, reforçou que o diagnóstico não deve ser visto como uma sentença de incapacidade, mas como um ponto de partida para a luta por direitos. “O diagnóstico é um papel, ele não vai diminuir nada na vida do autista. A partir do momento que eu tive o diagnóstico, comecei a lutar, pois vi que a sociedade achava que o autista era incapaz, e hoje meu filho é a prova do contrário”, declarou. Ela revelou ainda que o trabalho do filho nas redes sociais tem transformado vidas, citando uma mãe de Pernambuco que encontrou motivação para cuidar de seus quatro filhos autistas ao acompanhar a rotina do jovem sergipano.
Entre uma palestra e outra, o adolescente mantém hábitos comuns a qualquer jovem de sua idade. Fã declarado de cuscuz com ovo, ele brincou sobre sua seletividade alimentar e revelou seu sonho profissional: ser paleontólogo, cientista que estuda a vida pré-histórica através de fósseis.
Ao final, Emmanuel reforçou sua mensagem de otimismo para outros jovens que receberam o diagnóstico recentemente, incentivando-os a terem orgulho de sua identidade. “O autismo é uma condição, não é uma doença como muita gente acha. O autismo não limita a pessoa”, finalizou.








