Em entrevista ao Jornal da Fan, da rádio Fan FM, nesta quarta-feira, 1º, a diretora do Centro de Apoio Operacional (CAOp) dos Direitos da Mulher, promotora de Justiça Verônica Lazar, afirmou que casos de feminicídio não podem ser tratados como episódios isolados e detalhou como a cobertura jornalística pode ser conduzida com responsabilidade, ética e compromisso com a informação.
A promotora citou o efeito negativo práticas comuns na cobertura de crimes e julgamentos sobre a vida da vítima, destacando que o foco deve permanecer no crime em si e na responsabilização do agressor.
“Sensacionalismo em cima dos corpos, exibição de imagens que dão audiência, mas que acabam machucando muito todos os familiares daquela vítima. Outra coisa é a revitimização da vítima. Por exemplo, fazer alguma avaliação acerca da vida pregressa daquela mulher. O que está em jogo ali, o que tem que ser analisado é o fato. O fato é: um homem matou uma mulher”, afirmou.
Ela ressaltou a importância de uma atuação da imprensa que contribua para a responsabilização dos autores, sem expor ou culpabilizar as vítimas e seus familiares, além de defender a articulação entre o poder público, políticas públicas e o sistema de Justiça no enfrentamento de um problema que considera cultural e estrutural.
“E esse fato também não é um fato isolado. É importante contextualizar. Esse fato é decorrente de um ciclo de violência. Então, nenhum feminicídio ocorre de uma hora pra outra. Todo feminicídio é fruto de várias violências que são cometidas, de um caminhar. E é preciso contextualizar isso para não passar a impressão de que aquele fato é um fato isolado”, completou.
Nesse sentido, ela também alertou para a necessidade de cautela na forma como o autor do crime é retratado, evitando construções que possam suavizar ou distorcer a gravidade da violência.
“A abordagem jornalística tem que ser muito responsável, feita com muito senso ético, porque isso pode resultar um gatilho para outros homens. Pode chamar a atenção, inclusive, a forma como o crime é cometido. É preciso checar todas as fontes antes de passar uma informação”, disse a promotora.
A promotora enfatizou que a forma de noticiar pode influenciar comportamentos e, por isso, exige rigor na apuração e cuidado na narrativa, a fim de não estimular a reprodução da violência.
“É importante frisar os canais de denúncia, por exemplo. É importante noticiar sempre os canais de denúncia, os encaminhamentos que devem ser feitos. Onde a família deve ser acolhida numa situação como essa? Em outros casos de violência, para onde ser feito o encaminhamento? Então, nós temos várias questões. Outra questão também mais importante é o tratamento dos familiares, realçar a questão dos órfãos do feminicídio, os familiares”, finalizou.







