Embora continue ostentando o título de capital com a cesta básica mais barata do Brasil, Aracaju registrou a segunda maior alta acumulada de 2026, com um salto de 4,34% nos primeiros dois meses do ano.
O dado é da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
No recorte mensal de fevereiro, Aracaju acompanhou a tendência de alta verificada em outras 14 capitais brasileiras. Comer em Aracaju ficou 1,85% mais caro. A cidade registrou uma das maiores altas nos preços de alimentos do Brasil, ficando atrás somente de Natal (3,52%) e Maceió (1,87%).
Apesar da subida expressiva nos preços, o valor absoluto da cesta em Aracaju ainda é o mais baixo entre as 27 capitais monitoradas:
| Capital | Valor da Cesta (Fev/26) |
| Aracaju | R$ 562,88 |
| Porto Velho | R$ 601,69 |
| Maceió | R$ 603,92 |
| São Paulo (mais cara) | R$ 852,87 |
Diferente da média nacional, o principal responsável pela alta em Aracaju foi o tomate, que saltou 8,24% em apenas 30 dias. Se observado o acumulado desde dezembro, é perceptível uma alta de 35,14%. Outros itens que pressionaram o índice em fevereiro foram:
- Feijão carioca: +5,17%
- Pão francês: +1,72%
- Carne bovina de primeira: +1,71%
O aumento da carne bovina é reflexo da baixa disponibilidade de animais para abate e do forte ritmo das exportações brasileiras. Segundo o Dieese, esse cenário de pressão sobre itens essenciais do “prato feito” explica por que Aracaju, apesar de ainda registrar o valor nominal mais baixo do Brasil, apresentou um ritmo de aumento superior à média nacional no primeiro bimestre de 2026.
Por outro lado, o consumidor encontrou algum alívio em itens como o óleo de soja (-4,39%) e a farinha de mandioca (-1,97%), que registraram queda no período.
Um dado revelador do estudo é o impacto no tempo de trabalho. Para comprar a mesma cesta que em janeiro exigia 75 horas de serviço, o trabalhador aracajuano que ganha um salário mínimo (R$ 1.621,00) precisou trabalhar 76 horas e 23 minutos em fevereiro.
Após os descontos previdenciários, o trabalhador de Aracaju comprometeu 37,54% do seu salário líquido apenas para garantir a alimentação básica.
Comparativo anual
Apesar da subida recente, o cenário atual ainda é mais favorável do que o de um ano atrás. Em fevereiro de 2025, o trabalhador precisava comprometer mais de 41% de sua renda e trabalhar 84 horas para comprar os mesmos produtos. No comparativo de 12 meses (Fev/25 vs Fev/26), o valor da cesta em Aracaju apresenta uma queda acumulada de 3,03%.







