A revista britânica The Economist publicou uma análise sobre o cenário político brasileiro e avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deverá disputar as eleições presidenciais de 2026. Segundo a publicação dessa segunda-feira, 30, apesar da força política de Lula e do momento institucional vivido no país, a idade avançada do presidente e a falta de preparo de um sucessor tornam arriscada uma nova candidatura.
O texto destaca que o Brasil viveu um ano de 2025 marcado por fortes tensões políticas. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso sob acusação de golpe de Estado, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a alegar, sem provas, que a prisão seria uma armação, impondo tarifas punitivas a produtos brasileiros. Lula, no entanto, enfrentou Trump e conseguiu, em grande medida, fazê-lo recuar, o que reforçou sua posição política interna.
Mesmo nesse contexto favorável, a The Economist ressalta que uma eventual candidatura de Lula representaria riscos elevados. Atualmente com 80 anos, o presidente estaria apenas um ano mais jovem do que Joe Biden no mesmo estágio do ciclo eleitoral norte-americano de 2024, considerado pela revista um exemplo negativo. Para a publicação, carisma não é proteção contra o declínio cognitivo, e o histórico recente de saúde de Lula incluindo uma cirurgia cerebral em dezembro de 2024 após uma queda reforça as incertezas. Caso cumprisse mais um mandato completo, Lula teria 85 anos ao deixar o cargo.
A revista também relembra que Lula carrega o peso dos escândalos de corrupção associados a seus primeiros mandatos, que ainda provocam rejeição em parte do eleitorado. Embora reconheça o crescimento econômico recente, a análise classifica as políticas econômicas do governo como medianas, concentradas em auxílios sociais e em medidas de arrecadação pouco atraentes para empresas, ainda que a reforma tributária simplificada tenha agradado setores produtivos.
Outro ponto central do texto é a ausência de sucessão clara. A The Economist afirma que, assim como Biden, Lula pouco fez para preparar um herdeiro político. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a ser cogitado, mas foi descartado por ser visto como excessivamente intelectual e por ter perdido a eleição de 2018. Prefeitos mais jovens da centro-esquerda até aparecem como alternativas, mas sem força suficiente para substituir Lula.
Para a publicação, o Brasil demonstrou em 2025 a força de suas instituições ao responsabilizar judicialmente um ex-presidente que tentou subverter o resultado eleitoral. Em 2026, no entanto, a democracia precisaria de um novo impulso, com candidatos viáveis e renovação política. Nesse contexto, a The Economist conclui que tudo indica que Lula não deveria, e possivelmente não irá, disputar novamente a Presidência.








