O governador Fábio Mitidieri reconheceu falhas na atuação da Iguá Saneamento em Sergipe, mas afirmou esperar que a concessionária dê a “resposta necessária” para elevar a satisfação da população com os serviços prestados.
Em entrevista ao Jornal da Fan, da rádio Fan FM, exibida nesta quarta-feira, 31, ele ressaltou os investimentos realizados pela empresa e apontou problemas de gestão e comunicação.
“Também recebemos cobrança, a gente acredita que a Iguá vai dar a resposta necessária no médio prazo. Os investimentos que estão sendo feitos são vultosos, e a gente espera que esses erros do dia a dia, de gestão, possam ser corrigidos, e a população sergipana possa, mais na frente, ficar satisfeita com isso”, disse ele.
A Iguá Sergipe assumiu, em 1º de maio, a responsabilidade pela distribuição de água e pela coleta e tratamento de esgoto em 74 dos 75 municípios sergipanos, enquanto a Deso permanece responsável pela captação da água bruta e pelo tratamento da água.
Ao avaliar os primeiros meses da concessão, o governador relativizou o curto período de atuação, mas reconheceu falhas que motivaram sanções por parte do governo.
“A Iguá chega 1º de maio, então aí nós estamos falando de 7 meses, e eu também não vou ser hipócrita de acreditar que em 7 meses a Iguá ia transformar Sergipe, mas eu também entendo que ela, em 7 meses, pode fazer muita coisa, e tem feito investimentos importantes, mas ela também cometeu algumas falhas, e por isso mesmo o Governo atuou através da Agrese, e a Iguá foi multada em quase R$ 4 milhões naquilo que ela não atendeu e era obrigação dela”, afirmou Mitidieri.
Na oportunidade, o governador afirmou que a Iguá falhou em áreas onde não havia problemas, como é o caso de Aracaju, e citou problemas operacionais considerados simples, mas recorrentes.
“A Iguá falhou, e a gente tem que ser muito claro, onde não havia problemas. A exemplo de Aracaju, que passou a ter, em alguns momentos, falta d’água, e Aracaju não tem falta d’água, e ela erra em comunicação. […] Além disso, eu cobro muito da Iguá, a gente fala constantemente com a Iguá. Falhas que são fáceis de se resolver, mas que aconteciam e ainda acontecem em alguns momentos. A demora para uma ligação, a demora para consertar um vazamento, a demora para dar um retorno efetivo a quem precisa”, completou.
Para o governador, os principais entraves atuais exigem organização e gestão.
“De todos os problemas, esses são fáceis de resolver, você resolve com gestão. Investimento é dinheiro. A Deso não tinha, a Deso não tinha R$ 250 milhões para investir, em sete meses, como a Iguá está fazendo. Então, eu acredito que no médio prazo, a gente vai comemorar isso. […] Acredito muito que a Iguá possa fazer um grande trabalho no Estado de Sergipe. Eles sabem que a população cobra, e com razão. Eu sei da cobrança, porque chega pra mim também”, completou.
Durante a entrevista, o governador ainda apontou certa dificuldade, por parte da população, de separar as responsabilidades da Deso e da Iguá, e, por vezes, o uso político dessa situação.
“Quando teve aquele rompimento da adutora, que deixou Aracaju quatro dias sem água, e a gente fez um serviço num tempo recorde para a retomada, aquilo ali era da Deso, não era da Iguá. […] E a população já, com razão, às vezes, ela mistura tudo. Culpa a concessionária, porque se teve algum problema em água, já liga logo que é a concessão. […] Manutenção de barragens é do Governo do Estado, e nós fizemos empréstimos para fazer os investimentos necessários para a conservação e manutenção das nossas barragens também. E eu já vi ontem o deputado cobrando: ‘mas peraí, a Iguá’. Não tem nada a ver uma coisa com a outra, são situações diferentes, são para destinações diferentes e responsabilidades diferentes, no caso das barragens e também do Estado”, concluiu.








