Alessandro afirma que pena de Bolsonaro é “compatível com o que a lei prevê”, mas defende prisão domiciliar: “preenche todos os requisitos”

Durante entrevista concedida ao Jornal da Fan, da rádio FAN FM, o senador Alessandro Vieira falou sobre a condenação por tentativa de golpe de estado e também a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, após risco de fuga e violação da tornozeleira eletrônica no último sábado, 22. O parlamentar argumentou sobre legalidade da prisão, mas defendeu que o chefe do executivo cumpra prisão em regime domiciliar.

O senador ressaltou que fato não deve ser comemorado. “É sempre muito triste, na minha visão, quando um político eleito vai preso, porque isso frustra” e reconheceu que as práticas de Bolsonaro justificam a prisão: “Vários integrantes do governo Bolsonaro e o presidente Bolsonaro pensaram, falaram, tramaram por um golpe de Estado. Isso foi público aqui em Brasília. A decisão do ponto jurídico, se o que eles fizeram já configura o crime ou se ficou na etapa anterior, que é chamada cogitação (que não é crime) [e] os ministros, por 4 a 1, entenderam que sim, que já era o crime. As penas aplicadas são penas que são compatíveis com o que a lei prevê”.

Por outro lado, disse que não concorda com a negativa da prisão domiciliar: “Acho que o momento é de cumprimento da sentença, com o máximo de dignidade possível. É um cidadão que já tem uma idade avançada, que tem severos problemas de saúde. Na minha visão, ele preenche todos os requisitos para estar numa prisão domiciliar. Qualquer preso na condição dele e com a situação financeira dele, ou seja, com advogados que podem pedir isso, estaria em prisão domiciliar. Acho que, novamente, o ministro Alexandre de Moraes passa da linha do razoável”, disse.

Ele destacou que no ano passado propôs um projeto para diminuir a pena, por achar muito alta, mas que não avançou pela resistência da família Bolsonaro, que insiste na anistia total. “Uma anistia total, de crimes dessa natureza, dificilmente vai prosperar. Eu diria que mesmo na hipótese remota de isso ser pautado e aprovado, depois seria declarado inconstitucional”.

Por fim, destacou que Bolsonaro “é um cidadão que tem problemas muito graves de saúde por conta do atentado que sofreu. Isso é público. Eu acho muito, muito triste quando você vê figuras que são públicas alardeando uma felicidade imensa, quase que desejando a morte de outra pessoa. Acho que isso não constrói nada, não é democrático, não é razoável”.

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