Moraes diz  que Bolsonaro instigou população após derrota nas eleições de 2022: “Esse chamado resultou no dia 8 de janeiro”

O ministro Alexandre de Moraes, relator no processo da chamada trama golpista, destacou nesta terça-feira, 9, durante a retomada do julgamento, reuniões entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e as Forças Armadas para discutir a sua “manutenção no poder”.

“Na ausência de um instrumento jurídico para a sua perpetuação, só restava uma coisa: a força, a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), a intervenção militar. É claro e cristalino que o então presidente, líder dessa organização criminosa, pretendia era tão somente o apoio. Porque, obviamente, sem tropas, ele não conseguiria naquele momento”, disse Moraes.

Segundo Moraes, a organização criminosa da qual o ex-presidente fazia parte, instigou e coordenando a população, mesmo após a derrota nas eleições de 2022. 

Após não conseguir o apoio incondicional dos chefes militares, ele teria mantido a postura de negação do resultado eleitoral e, no final de dezembro daquele ano, deixado o recado de que “as Forças Armadas nunca recusaram um chamado do povo brasileiro”.

“E o que não conseguir neste momento, vamos organizar esse chamado do povo brasileiro. E esse chamado, não do povo brasileiro, de criminosos golpistas, esse chamado resultou no dia 8 de janeiro, é uma sequência de atos executórios”, disse ele. 

Ainda de acordo com o ministro relator: “Pretendia-se duas coisas: durante todo o mandato, a extinção do Estado Democrático de Direito, com o apequenamento, a extinção do Poder Judiciário, para governar à margem da Constituição. Ao mesmo tempo, atos executórios para se perpetuar no poder. Se perdesse, golpe de Estado. Se ganhasse, iria acabar com a independência do Poder Judiciário de vez no próximo mandato”.

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