Durante sessão da Câmara Municipal de Teresina (PI) realizada na última terça-feira, 2, a vereadora Samantha Cavalca (Progressistas) chamou manifestantes da comunidade trans presentes no local de “cosplay de Erika Hilton”. A situação ocorreu enquanto era feita uma votação do Projeto de Lei nº 97/2026, que propõe a utilização de banheiros femininos únicamente por mulheres cisgênero.
Na ocasião, Samantha estava respondendo ao vereador Pedro Alcântara (Progressistas) que ocupava a tribuna no momento e aproveitou para criticar as interrupções vindas do público. Após a fala, a parlamentar foi rebatida com uma série de vaias e palavras de repúdio por representantes da comunidade LGBTQIA+ presentes no local para pressionar os vereadores contra o projeto.
“Olha, presidente Enzo [Samuel, do PV], tem uma mulher falando e eu não vou admitir um bocado de marmanjo barbado de peruca me interrompendo. Já basta! É um bocado de cosplay de Erika Hilton, rapaz”, disse a vereadora.
Em sua fala, Samantha realizou uma alusão a deputada federal Erika Hilton (Psol), conhecida popularmente como uma das principais representantes da comunidade LGBTQ+ no Congresso Federal.
Em entrevista para a imprensa local, a vereadora classificou os presentes como uma “minoria baderneira” associada ao PT, além de afirmar que “não representam o grupo GLBTS (sic)“.
Samantha enquadrou a reação dos manifestantes como “misoginia” e reforçou a posição de que os ativistas da causa “não são mulheres”
“Eles tentaram calar a minha fala. Preconceito, é isso. Eles têm ódio de mulheres. Tô falando dos baderneiros aqui presentes. O que que eles querem fazer dentro do banheiro feminino se eles têm ódio de mulher? O que que eles querem fazer contra mim, contra outras mulheres? Eu tenho medo”, respondeu Samantha a jornalistas.
Sobre o projeto
Proposto pelo vereador Petrus Evelyn (Progressistas), o Projeto de Lei nº 97/2026 propõe a criação da Política Municipal de Proteção da Mulher no município com artigos que visam o sexo biológico para a aplicação das medidas.
No documento disponibilizado pela Câmara Municipal de Teresina, são listadas a garantia de utilização de banheiros exclusivos às “mulheres biológicas” e a proibição de apoio ou patrocínio para eventos esportivos que não levarem em conta “o sexo biológico da atleta ou da participante”.
Representantes da comunidade LGBTQIA+ da região consideram o episódio como transfobia e demonstram repúdio ao PL.
* Com informações do g1 Piauí e Congresso em Foco








