EUA propõem taxar o Brasil por omissão no combate ao trabalho forçado

Foto: Alan Santos PR

Os Estados Unidos anunciaram uma nova proposta de tarifas comerciais que pode atingir diretamente o Brasil. Em decisão divulgada na última terça-feira, 2, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) concluiu que 60 economias não possuem ou não aplicam de forma eficaz mecanismos para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

No caso brasileiro, a acusação não se refere ao uso de trabalho escravo na produção nacional. O entendimento das autoridades norte-americanas é que o país não adota medidas suficientes para barrar a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado em outras nações.

Com base nessa avaliação, o governo dos EUA propôs uma tarifa adicional de 12,5% para 54 países, entre eles Brasil, Argentina, Chile, China, Colômbia, Índia, Peru, Rússia, África do Sul, Reino Unido, Uruguai e Venezuela. Já um grupo de seis economias, que inclui União Europeia, México e Canadá, poderá ser submetido a uma tarifa menor, de 10%, por possuir mecanismos considerados parcialmente eficazes de fiscalização.

A proposta ainda será submetida a consulta pública até julho. Após essa etapa, o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e quais serão os termos finais da medida.

Para o Brasil, a situação ganha ainda mais relevância porque essa possível sobretaxa se soma à tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos na segunda-feira, 1º. Nesse caso, a justificativa apresentada foi a suposta adoção de práticas comerciais consideradas desleais pelos norte-americanos. A medida poderá entrar em vigor a partir de 15 de julho.

As novas ameaças tarifárias dos EUA, juntamente com a discussão sobre a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, devem integrar a pauta da reunião ministerial convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira, 3.

*Com informações da Agência Brasil

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