O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (SINTESE), Roberto Silva, explicou, durante o Jornal da Fan desta sexta-feira, 6, o que motivou a decisão de iniciar uma greve dos professores da rede estadual.
Na oportunidade, ele destacou que o governador Fábio Mitidieri informou ao sindicato que não iria mais negociar com os professores. “Estudos foram realizados de impacto financeiro sobre a possibilidade do Estado atender o nosso pleito, e no final do ano o governador informa a direção do sindicato que não estaria mais negociando conosco, estariam as negociações suspensas por orientação da Secretaria da Fazenda. Para nós foi uma grande decepção, uma grande surpresa, porque nós entendíamos que havia condições reais do governo atender às reivindicações do magistério”.
E completou: “De lá para cá, desde novembro até agora, a gente não teve mais negociação com o governo. Ao mesmo tempo, em novembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal decidiu sobre uma lei do estado de Sergipe, uma lei de 2011. Essa lei destruiu o plano de carreira dos professores, que impôs ao magistério estadual uma perda salarial de 54%. Hoje o magistério está 54% mais empobrecido do que estava em 2011”.
Ele explicou que o Supremo decidiu que o governo deveria retomar a negociação, para reestabelecer a carreira dos professores, e a decisão de não retomar as tratativas é vista como uma atitude de desrespeito à lei. “Para nós isso é muito grave, porque não tenho dúvidas de que, se essa decisão tivesse sido contra o magistério, ela já estava sendo implementada pelo estado de Sergipe”.
Roberto também destacou que o governo pediu um tempo para reconhecer a decisão e restabelecer o plano de carreira: “Já temos cinco meses desde a decisão do Supremo. E o governo simplesmente não sentou conosco”.
Além disso, o presidente explicou que o fator que gerou maior revolta foi uma atitude atribuída ao ex-secretário de educação, Zezinho Sobral: “Deixou de investir na educação o ano passado mais de duzentos e setenta milhões de reais, dinheiro que era o mínimo que ele deveria ter investido na educação. No nosso entendimento, era dinheiro suficiente para negociar esses direitos dos professores e ainda sobrar. Ou seja, o problema não é de falta de dinheiro, tem uma decisão judicial que precisava ser cumprida, mas há uma decisão política do governo Fábio Mitidieri de não dar continuidade às negociações com o magistério”.
E finalizou destacando que esses motivos fizeram com que o magistério decidisse por iniciar a greve a partir da próxima segunda-feira, 9: “na expectativa de que haja por parte do Governo do Estado uma sensibilidade de negociar e de dizer como vai garantir os direitos dos professores a partir dessas decisões judiciais”, concluiu.








