EXCLUSIVO | Secretário Nacional de Tecnologia da Informação do PT recebeu mais de R$ 11 milhões de entidades de Sergipe que fraudaram o INSS

Um vídeo do deputado federal Alencar Santana (PT/SP) circulou intensamente nas redes sociais de Sergipe nesta terça-feira, 2. Na gravação, o parlamentar questionava a concessão de um Habeas Corpus (HC) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em favor de Sandro Temer de Oliveira. O empresário, que deveria prestar depoimento à CPMI do INSS na segunda-feira (1º/12), às 16h, não compareceu à sessão amparado pela decisão judicial.

Ao comentar o caso durante a CPMI, Alencar Santana afirmou que o depoente integrava o “núcleo de Sergipe”, supostamente liderado por André Moura — ex-líder do governo Michel Temer na Câmara e atual secretário de Governo do Rio de Janeiro. A declaração buscava vincular o ex-deputado federal ao grupo que, segundo investigações da Polícia Federal, teria movimentado mais de R$ 500 milhões desviados de aposentados e pensionistas somente em Sergipe.

Enquanto isso, do cárcere, Sandro Temer sinalizou à cúpula da CPMI a disposição de firmar delação premiada para expor outros envolvidos no esquema, incluindo políticos. O empresário é apontado como controlador da Universo Associação dos Aposentados e Pensionistas (AAPPS Universo) e da Associação de Proteção e Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (APDAP Prev). Juntas, as entidades faturaram R$ 479 milhões operando descontos indevidos em Sergipe e teriam utilizado o Instituto Guadalupe como intermediário para repassar os recursos aos beneficiários finais da fraude.

O outro lado da moeda

Em contrapartida, na mesma sessão, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil/AL), denunciou a existência de uma “blindagem” em torno das entidades sergipanas. Sem citar nomes inicialmente, Gaspar revelou que uma das associações transferiu mais de R$ 8 milhões para um secretário partidário. “Nós não podemos ter bandido de estimação. Por mim, não haverá blindagem a quem quer que seja no Brasil”, disparou o relator.

A fala referia-se a dados dos relatórios do Coaf e da Receita Federal enviados à comissão, que identificam Ricardo Bimbo Tróccoli, Secretário Nacional de Tecnologia da Informação do PT, como destinatário de repasses milionários de investigados na Operação Sem Desconto. A Datacore Informática, empresa da qual ele é sócio, recebeu R$ 11,1 milhões entre agosto de 2023 e julho de 2024.

Entre os valores recebidos, constam R$ 8,3 milhões da ADS, R$ 1,4 milhão da G8 Cursos e Consultoria e R$ 121 mil da Sempre Empreendimentos. Além disso, o próprio dirigente petista recebeu mais de R$ 320 mil em suas contas pessoais. Questionado pela imprensa, ele alegou “não se recordar” dos serviços prestados que justificassem tais montantes.

Ricardo Bimbo é figura influente na Executiva Nacional do PT e integrou a coordenação da campanha do presidente Lula. Segundo informações em posse da CPMI, ele era conhecido por solicitar verbas aos investigados nas fraudes sob a justificativa de produzir um filme em homenagem ao presidente da República.

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