Ligação a parlamentares dos EUA e críticas a senadores: como Eduardo Bolsonaro age para tentar bloquear negociação com Trump

Foto: Internet

Enquanto uma comitiva de oito senadores brasileiros busca apoio em Washington para reverter o aumento de 50% nas tarifas sobre produtos nacionais, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atua em sentido contrário. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo tem operado em duas frentes: ligações a congressistas americanos aliados de Donald Trump para desestimular encontros com os parlamentares brasileiros e críticas públicas à missão, que ele acusa de não representar legitimamente o país.

Nos bastidores, integrantes da delegação classificam a atuação do deputado como uma tentativa deliberada de “boicote político”. Segundo relatos, ele tem alertado republicanos e assessores próximos ao ex-presidente americano, o que levou os senadores a manter parte das agendas sob sigilo por receio de cancelamentos.

Há meses nos Estados Unidos, Eduardo vem mobilizando sua rede de contatos políticos e ideológicos para enfraquecer a delegação. De acordo com os senadores, o deputado tem dito a aliados de Trump que a missão é composta por governistas e defensores do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro Alexandre de Moraes, a quem atribui perseguição ao seu pai.

“Ele tem trabalhado para inviabilizar nossas agendas nos Estados Unidos”, afirmou o senador Rogério Carvalho (PT-SE). “Cumpre hoje a tarefa de transformar tarifa em chantagem contra a economia, os empregos, contra a vida do povo brasileiro.”

A delegação, formada por parlamentares de partidos como PT, PL, MDB, PSD, Podemos e PP, tenta construir uma frente suprapartidária para mostrar que o tarifaço anunciado por Trump prejudica tanto o Brasil quanto os Estados Unidos. Na segunda-feira (28), o grupo se reuniu com a Câmara de Comércio americana; nesta terça, conversou com dois congressistas democratas e aguarda confirmação de reuniões com republicanos.

“O consenso no grupo é ignorar o Eduardo Bolsonaro”, disse o senador Carlos Viana (Podemos-MG).

Embora avancem nas tratativas, os senadores ainda não conseguiram confirmar encontros com representantes do governo americano. A decisão é manter discrição sobre esses contatos para evitar que o deputado interfira, como já tem feito junto a republicanos.

Eduardo, por sua vez, admitiu publicamente que trabalha para inviabilizar a missão. “Com certeza não (haverá diálogo), e eu trabalho para que eles não encontrem diálogo”, declarou ao SBT News. Ele também afirmou que a retaliação de Trump seria uma resposta à atuação do ministro Alexandre de Moraes, que “agora enfrenta um adversário à altura”.

A atuação do deputado gerou desconforto na delegação, que teme que a politização da agenda atrapalhe a interlocução com autoridades americanas. Apesar disso, a missão deve manter compromissos até o fim da semana. Os senadores afirmam ser crucial demonstrar que o Congresso Nacional tem posição clara em defesa da indústria brasileira e que as tarifas impostas por Trump podem gerar prejuízos econômicos que ultrapassam o governo Lula, afetando setores estratégicos de ambos os países.

Com informações de O GLOBO

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