Entrevistado durante o Jornal da Fan, da rádio Fan FM, nesta quinta-feira, 25, o motorista por aplicativo que cancelou uma corrida após uma criança autista pisar no banco de seu veículo nessa última quarta-feira, 24, em Aracaju, se manifestou publicamente pela primeira vez desde o ocorrido.
Na ocasião, ele dirigiu um pedido formal de desculpas à criança, sua mãe, que solicitou a corrida, e a seus familiares.
“Eu fiquei muito triste, muito sensibilizado. E volto a repetir, enfatizar, mil desculpas. Como pai, nenhum pai quer ver um filho passando por uma situação dessa”, relatou.
O caso foi registrado no bairro Suíssa, na Zona Sul da capital. A mãe da criança relatou que havia solicitado o transporte por aplicativo para retornar para casa após uma sessão de terapia.
Quando o veículo chegou ao ponto de partida, a criança, de 7 anos, entrou no veículo e, em um gesto involuntário característico, apoiou o pé no banco, conforme relatado pela mãe. Imediatamente após, o motorista optou por cancelar a corrida.
Durante a entrevista, o motorista explicou que, ao observar a dificuldade da mãe em retirar a criança do carro, considerou voltar atrás na decisão, mas o receio de possíveis penalidades por parte da plataforma o fez mudar de ideia.
“Depois que eu vi ela tirando ela, ela lutando, saindo do carro, eu ia seguir viagem. Só que eu fiquei com medo de seguir essa viagem e depois ela reportar e ser pior, e eu ser bloqueado na plataforma. Eu só tenho o aplicativo no momento para sobreviver. E eu fiquei muito triste pelo fato de ter filhos, eu tenho dois filhos, um de 18 anos e um de 7 anos também, e tem o sobrinho da minha esposa, que é autista, e a gente o ama muito”, completou.
Na oportunidade, o motorista também falou sobre as dificuldades enfrentadas pelos motoristas por app.
“Nós, motoristas de Uber, somos meio discriminados. No meu caso, saio às 5 da manhã, chego em casa às 19 horas, e o que você pode imaginar que nós vemos, escutamos, não é brincadeira. Quando eu fiz isso, foi porque na semana passada eu já tinha até levado a advertência pelo banco estar sujo. E eu não tinha visto, porque era atrás de mim, não tem como eu ver. E uma passageira entrou, melou a calça. Simplesmente desceu, reportou. A Uber veio e me bloqueou dois dias, para que eu pudesse mandar foto, para que eu pudesse mostrar o carro limpo, para que depois pudesse desbloquear. Então, assim, foi um misto de sensações, mas isso não justifica que aconteceu e o que eu fiz”, finalizou.








