A secretária de Políticas para as Mulheres do Estado de Sergipe e delegada Georlize Teles concedeu entrevista ao Jornal da Fan nesta sexta-feira, 6, e destacou a necessidade de fortalecer o atendimento às mulheres no interior do estado. A pauta tratou, especialmente, do caso ocorrido na Delegacia de Itabi, em que uma mulher procurou atendimento na unidade policial, mas não recebeu a devida atenção dos servidores.
Durante a entrevista, Georlize afirmou que situações como essa desencorajam outras mulheres a denunciarem casos de violência.
“O interior precisa ter uma rede fortalecida […] Mas, infelizmente, nós lidamos com profissionais que são pessoas, seres humanos, que saem de uma sociedade estruturalmente machista. Enfim, que tem essa violência muito presente. Então, eles reproduzem esse modelo, em que pese a capacitação e a informação serem constantes”.
A delegada também repudiou a falta de escuta por parte dos servidores públicos e ressaltou o tempo que muitas mulheres levam até conseguir denunciar: “O servidor da segurança pública que me ouve. Ou qualquer servidor desse estado de Sergipe que me ouve. Entenda: quando a mulher consegue chegar, ela leva de 7 a 10 anos para conseguir falar. E, quando ela resolve falar, nós silenciamos essa mulher? Nós, enquanto servidores públicos? Isso é revoltante.”
A delegada defendeu que os homens também se envolvam na luta pelo enfrentamento à violência contra as mulheres e destacou a importância de combater comportamentos machistas nos próprios círculos sociais.
“Vamos no grupo de WhatsApp de homem, que só vem vídeo pornográfico e fala machista sobre mulher, dizer: ‘Eu vou sair desse grupo, porque ele não me representa. Porque eu não sou machista. Porque eu respeito as mulheres e esse mundo é de nós dois’. Tô saindo desse grupo. E não tenha medo de ser xingado e de ser ridicularizado ou de ‘mimimi’ de quem é machista e quer fazer isso. Saia, dê um grito. É pra sua filha, pra sua esposa, pra sua mãe. É pra você. Porque o mundo é pra todos e todas”, finalizou.








