Comunidade acadêmica cobra mais recursos para a UFS e rebate críticas à universidade em audiência pública na Câmara de Aracaju

Eduardo Brito

A recomposição do orçamento, a ampliação das bolsas de pesquisa e as políticas de permanência estudantil estiveram entre as principais cobranças feitas por representantes da comunidade acadêmica durante uma audiência pública realizada na quinta-feira, 5, na Câmara Municipal de Aracaju. O encontro também foi marcado por críticas a declarações recentes que questionaram a atuação da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e chegaram a defender seu fechamento.

Proposta pela vereadora professora Sônia Meire, a audiência reuniu parlamentares, professores e representantes estudantis para discutir o papel da instituição no desenvolvimento do estado. Durante sua participação, a parlamentar criticou iniciativas que, segundo ela, tentam desqualificar o trabalho desenvolvido pela universidade por meio de informações falsas.

“Recentemente nós tivemos também algumas iniciativas, infelizmente nefastas, combatendo o trabalho que nós fazemos na universidade e tentando desvirtuar a ação que a universidade faz hoje, desqualificando o próprio trabalho da universidade a partir de determinadas fake news e outros elementos”, afirmou.

Sônia também destacou que a formação oferecida pela UFS não se limita à preparação de profissionais para o mercado de trabalho. “Nós não produzimos e formamos pessoas apenas para o mercado, nós formamos pessoas para a vida”, declarou. Para a vereadora, a resposta aos questionamentos sobre a instituição deve ser apresentar à sociedade os resultados e a contribuição da universidade.

A discussão ocorre em um momento em que a universidade apresenta resultados na área acadêmica. Com 58 anos de história, a UFS ocupa a sexta posição entre as universidades do Nordeste no Ranking Universitário Folha (RUF) 2026 e possui 11 cursos entre os 30 melhores do país.

A vice-reitora da instituição, professora Silvana Bretas, também apresentou dados sobre a pós-graduação. Segundo ela, a universidade conta com mais de 40 cursos de mestrado e doutorado. Na avaliação de 2025 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a maioria dos programas aumentou sua nota, enquanto a pós-graduação em Medicina alcançou a avaliação máxima.

“Na grande maioria, todos eles subiram de nota”, afirmou.

Outro dado apresentado pela vice-reitora foi o número de projetos de extensão desenvolvidos pela instituição. Atualmente, são mais de 600 iniciativas que buscam levar à população os resultados das pesquisas e atividades realizadas na universidade.

“São mais de 600 projetos de extensão, onde toda a produção do conhecimento é tratada de uma forma para que a sociedade também se beneficie daquilo que nós pesquisamos”, explicou Silvana.

Apesar dos resultados, a comunidade acadêmica apontou dificuldades relacionadas ao financiamento e à assistência estudantil. O vice-presidente regional da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Sergipe, Lucas Cunha, defendeu a recomposição orçamentária como condição para ampliar as bolsas de pesquisa e garantir melhores condições de permanência aos universitários.

“Hoje a gente passa principalmente por uma questão da recomposição orçamentária que a gente precisa dentro das universidades para conseguir ampliar esse número de bolsas de pesquisa, para conseguir ampliar essas políticas de permanência estudantil”, afirmou.

Lucas também defendeu que a universidade amplie os projetos voltados à população que não integra a comunidade acadêmica. Como exemplo, citou os atendimentos realizados por estudantes no município de Lagarto.

A falta de recursos também foi apontada pelo presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFS. Ele reconheceu que a instituição oferece restaurantes universitários nos campis e bolsas, mas avaliou que a estrutura disponível ainda é insuficiente para atender às demandas dos estudantes.

“Não tem como a gente falar da educação sem orçamento. A gente precisa de orçamento para conseguir avançar nos projetos de pesquisa, projetos de extensão e também na permanência estudantil”, declarou.

A audiência colocou em discussão dois pontos que atravessam o cotidiano da universidade: a necessidade de garantir recursos para o funcionamento e a assistência aos estudantes e o debate sobre o reconhecimento do papel da instituição no desenvolvimento de Sergipe.

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